Foto: Acervo Matakiterani/Divulgação
Foto: Acervo Matakiterani/Divulgação

A cartilha ‘Que terreiro é esse? – Mapeamento das comunidades e povos tradicionais de terreiros de Lages’ foi lançada nesta segunda-feira (16), em Lages. Escrita pela lageana Renilda Aparecida Costa, a cartilha será distribuída de forma gratuita para instituições de ensino e organizações do terceiro setor. 

De acordo com Renilda, “Que Terreiro é Esse? surgiu em continuidade ao projeto que leva o mesmo nome, desenvolvido pela Associação Cultural Matakiterani, realizado em 2017. O objetivo do livro é mapear os terreiros de Religiões Matrizes Africanas, que estão presentes em Lages.

Além disso, alguns critérios foram estabelecidos para que os terreiros pudessem ter o registro no livro. Primeiro passo: possuir um terreiro em funcionamento; segundo: ter um calendário regular de atividades religiosas e, também uma rede de relações que legitimam a atuação do terreiro (família de santo) e, por fim, fazer menção a terreiros que foram referência histórica.

Ao todo, foram mais de 20 espaços mapeados, distribuídos por diversos bairros de Lages, que realizam práticas de Umbanda e Batuque, também chamado de “religião dos orixás”.

Para a escritora, a pesquisa “emerge num momento que, no Brasil, recrudescem as experiências de intolerância religiosa, principalmente contra as religiões de Matrizes Africanas”.

Gilson Maximo, integrante da Associação Matakiterani, explica que a cartilha é “um importante documento de valorização da cultura afro no município que tem nos terreiros um ponto de referência e resistência cultural”.

Povos de Terreiro

Renilda explica que a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial (SEPIR) os define como os povos de Terreiros com “grupos que se organizam a partir de valores civilizatórios trazidos para o Brasil por africanos e transladados durante o sistema escravista, constituindo territórios próprios caracterizados pela vivência comunitária, pelo acolhimento e pela prestação de serviços, com base na cosmovisão africana”. 

A cartilha foi desenvolvida com objetivo de contribuir para a superação da intolerância religiosa, além de possibilitar a organização dos praticantes e dos espaços de de­voção das Religiões de Matrizes Africana e Indígena da Serra Catarinense.

Tiragem

A tiragem do material é de mil exemplares e terá distribuição gratuita em instituições de ensino e organizações de terceiro setor. O projeto foi financiado pelo Edital Elisabete Anderle de incentivo à cultura – 2017, pela Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) e Sesc Lages.