Amanda Menger
Tubarão

A ideia do aposentado José Alcino Alano, de Tubarão, ganhou o mundo. Os geradores de energia com materiais recicláveis como garrafas pet e caixas de leite foram instalados primeiramente em sua casa, e hoje estão em diversas creches da cidade, de Santa Catarina e também do Paraná. E agora virarão alternativa de renda para as famílias do Maciço da Cruz, em Florianópolis.

“Não visamos lucro financeiro, apenas o lucro ambiental. É uma alternativa para aquecer a água e reduzir os custos para famílias de baixa renda e instituições públicas. Além disso, possibilita a utilização destas embalagens para outros fins, que não a poluição do meio ambiente”, explica o inventor.

O custo médio para a instalação do aquecedor, em uma residência em que morem quatro pessoas, é de R$ 400,00. “O gasto maior é com a tubulação, pois as garrafas e as caixas podem ser reaproveitadas do uso doméstico. Só tomamos cuidado de limpar bem as embalagens para evitar doenças. Nas palestras, também incentivamos para o consumo consciente de refrigerantes. Não queremos que as pessoas passem a tomar a bebida para ter a garrafa”, esclarece José.

A durabilidade média é de cinco anos. “Isso porque o material fica exposto ao sol e à chuva e sofre um desgaste natural. Mas é possível virar a garrafa, aí teríamos a ampliação do tempo de uso em pelo menos mais cinco anos. Quanto à tubulação de PVC, o período é bem maior e depende de cada fabricante, mas passa seguramente de 20 anos”, afirma.

A Fundação Joana de Angelis, em Tubarão, que atende crianças de famílias de baixa renda, tem um aquecedor solar de descartáveis desde setembro de 2007. “Observamos uma economia acentuada nos gastos com energia. Não temos como precisar o percentual, mas facilitou o nosso trabalho”, avalia a diretora da instituição, Jane Falchetti.

Contra-ponto
• O Notisul recebeu e-mail de um leitor com algumas críticas ao projeto. Segundo ele, um aquecedor industrial não ultrapassaria R$ 2,5 mil, além de ter uma garantia de 15 anos e que o custo/benefício seria maior, principalmente para as instituições públicas.

• O inventor do aquecedor alternativo, José Alcino Alano, concorda com as observações do leitor, mas diz que a intenção do projeto é outra. “A proposta é utilizar um produto que teria como destino certo o lixo. Além disso, nem todas as famílias que adotaram o aquecedor têm condições de desembolsar R$ 2,5 mil e mesmo os governos para implantar isso em todas as creches”, observa José.

• O leitor também alerta para possíveis problemas estruturais após a instalação destes aquecedores. “Isso só ocorre se o projeto for mal dimensionado, porque a água não passa de 50º C e nós fornecemos informações sobre como fazer a instalação, o tipo de tubo que precisa ser utilizado e nunca tivemos nenhuma reclamação. Na minha casa, uso este aquecedor há seis anos e não verifiquei nada de anormal”, diz José.