A tubaronense Fabíola Abel Costa, a Fabi, precisa alcançar o valor de R$ 30 mil para passar por uma intervenção devido a complicações da endometriose.

Jailson Vieira
Tubarão

São meses sentindo dores intensas, praticamente 24 horas por dia. De acordo com a moradora de Tubarão Fabíola Abel Costa, 28 anos, são dores insuportáveis, o sofrimento já existia há certo tempo, porém, somente em outubro do ano passado, a jovem teve o diagnóstico preciso, endometriose. Uma doença ginecológica caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina.

Conforme relata a tubaronense, o calvário foi significativo. Foram várias consultas médicas e não havia meio de descobrir o motivo das dores. “Foram tantos médicos, inúmeras consultas e, enfim, após fazer um ultrassom o diagnóstico saiu. Infelizmente tenho endometriose profunda, ela atingiu o ovário esquerdo, a bexiga e o intestino”, explica.

A jovem conta que em janeiro passado precisou ficar internada por 16 dias. Na ocasião, relataram que ela precisaria realizar uma intervenção cirúrgica, o que não ocorreu. “Vou ao médico quase que semanalmente, tenho muitas dores e o sangramento só está aliviando com remédios à base de morfina. Preciso fazer a cirurgia urgente e não tenho como arcar com os custos, porque não pode ser paga pelo Sistema Único de Saúde. Os valores para este procedimento estão na média de R$ 30 mil”, relata.

Como não tem condições financeiras para custear, ela resolveu criar uma mobilização por meio do site ‘Vakinha Virtual’. A expectativa é alcançar o valor e passar pela cirurgia em breve. Dos R$ 30 mil que são necessários, até agora foram arrecadados apenas R$ 400,00. “Os gastos com medicamentos têm aumentado significativamente. Às vezes, falto ao trabalho devido à dor frequente e não tenho mais uma vida dentro da normalidade”, lamenta. Em fevereiro, o Notisul trouxe a história da estudante Eliziane de Fátima Wolff de Oliveira, 31, de Orleans, que descobriu ser portadora de endometriose. Ela também realizou a vaquinha virtual e, como o caso era extremamente grave, não foi possível esperar para arrecadar todo o montante. A intervenção cirúrgica foi feita, porém, empréstimos financeiros agora precisaram ser sanados.

Como ajudar a Fabíola
Para quem quiser colaborar e ajudar a arcar com as despesas hospitalares, basta acessar a vaquinha on-line: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/Luta- contra- endometriose  ou ainda, pela conta corrente na Caixa Econômica Federal: agência 0410 conta: 21102-5, titular Fabíola Abel Costa.

A causa
Todos os meses, o endométrio fica mais espesso para que um óvulo fecundado possa se implantar nele. Quando não há gravidez, esse endométrio que aumentou descama e é expelido na menstruação. Em alguns casos, um pouco desse sangue migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão endometriótica. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas sabe-se que há um risco maior de desenvolver endometriose se a mãe ou irmã da paciente sofrem com a doença.

Quando ocorrem
• É importante destacar que a doença acomete mulheres a partir da primeira menstruação e pode se estender até a última. Geralmente, o diagnóstico acontece quando a paciente está na faixa dos 30 anos.
• Atinge mulheres com idade superior há 13 anos
• Hoje, a doença afeta cerca de seis milhões de brasileiras. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e 30% tem chances de ficarem estéreis.

Sintomas
Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade. Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão:
• Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
• Dor pré-menstrual;
• Dor durante as relações sexuais;
• Dor difusa ou crônica na região pélvica;
• Fadiga crônica e exaustão;
• Sangramento menstrual intenso ou irregular;
• Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
• Dificuldade para engravidar e infertilidade.
A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor pélvica/abdominal à relação sexual, ou dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas.

Diagnóstico
O diagnóstico de suspeita da endometriose é feito por meio de exame físico, ultrassom (ultrassonografia) endovaginal especializado, exame ginecológico, dosagem de marcadores e outros exames de laboratório.

Tratamentos e cuidados
Dois tipos de tratamento podem ser usados para combater as dores da endometriose: medicamentos ou cirurgia. Cada um deles tem suas especificidades, e cabe ao ginecologista avaliar a gravidade da doença em cada caso e recomendar o melhor tratamento. Vale lembrar que, dependendo da situação, ambos os procedimentos são feitos de maneira integrada.
• Tratamento cirúrgico: Nesse procedimento, a endometriose é removida por meio de uma cirurgia chamada laparoscopia. Em alguns casos, é possível eliminar apenas os focos da doença ou as complicações que ela traz – como cistos, por exemplo. No entanto, em situações mais sérias, o procedimento precisará até remover os órgãos pélvicos afetados pela enfermidade. Dependendo das condições da doença, é possível recorrer a tratamento por laparoscopia, com laser. Também é possível a realização da videolaparoscopia, na qual diagnosticará o número de lesões, aderências, a obstrução tubária e já tratar a doença.
• Tratamento com medicamentos: Existem diversos medicamentos disponíveis no mercado para tratar a endometriose. É importante compreender que não existe cura permanente para a endometriose. O objetivo do tratamento é aliviar a dor e amenizar os outros sintomas, como favorecer a possibilidade de gravidez e diminuir as lesões endometrióticas.

Foto: Divulgação/Notisul