Foto:Divulgação/Notisul
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Tubarão

A qualidade do ar e da água, a garantia de um futuro para as novas gerações, ou ainda a lucratividade. São muitas as razões para as empresas se manterem sustentáveis. No escritório da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), em Tubarão, algumas experiências ganham destaque, como a Engie (ex-Tractebel), em Capivari de Baixo.

O engenheiro químico Rudemar Silveira da Cunha, da Fatma, lembra que nos últimos anos as fiscalizações se tornaram mais constantes. Ao mesmo tempo, felizmente, as empresas atenderam mais prontamente os pedidos dos órgãos ambientais. Foi o caso da Engie, que investiu mais de R$ 54 milhões em adaptações. "A partir do ano que vem teremos aqui no nosso escritório o monitoramento das chaminés, do que emitem. Atualmente, o relatório é trimestral e se tornará on line, em tempo real", comemora.

Desde o ano passado, a empresa capivariense garantiu ainda a redução de cinzas pelas suas chaminés por meio da troca de precipitadores. O material recolhido, aliás, se transformou em lucro, pois as cinzas são vendidas pela Engie.

Além de Capivari de Baixo, Tubarão tem outras duas estações de monitoramento do ar. Segundo Rudemar, os índices são medidos no bairro São Bernardo e na Vila Moema. "Se eu disser que estamos nos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS) estaria mentindo, mas, na maioria das vezes, estamos quase igual aos da OMS, que possui os padrões mais rígidos", argumenta.

A cada hora, no escritório da Fatma, é possível saber o nível de qualidade do ar. A tecnologia é única na região, conforme o engenheiro. "Neste aspecto, a nossa região está bastante adiantada", enfatiza. 

Ossotuba funciona parcialmente
Há pouco mais de um mês, a Fatma liberou o retorno das atividades da unidade da Ossotuba do bairro Sertão dos Corrêa, em Tubarão. A medida só foi possível após comprovação de que a empresa atendeu às exigências. Novas caldeiras, um novo lavador de gado e biofiltro foram algumas medidas. 
"As atividades são liberadas aos poucos. À medida que vai funcionando e não aparecem problemas, poderá voltar à produção normal", explica Rudemar. Até este momento, duas vistorias já foram realizadas. 
Em maio deste ano, após denúncias de moradores do Sertão dos Corrêa ao Ministério Público, a indústria foi embargada. A queixa era a emissão de poeira e o odor da queima dos resíduos de origem animal para a produção de ração. Segundo Rudimar, isso ocorria porque a empresa excedia a capacidade permitida.  "Há sete anos tivemos um problema sério com outro gerente e tivemos que autuar. Fazia quase seis anos que não tinha uma reclamação", recorda.

Comunidade questiona chaminé em fábrica de Capivari de Baixo
A chaminé de uma fábrica de móveis em Capivari de Baixo é motivo de reclamações de moradores há alguns meses. Um deles registrou um boletim de ocorrência. Parte do argumento é a preocupação com a saúde e ainda a questão estética, pois as residências ficam cobertas por cinzas, segundo o morador. "Tem dias que fica difícil de respirar. Uma criança precisou ser levada para atendimento médico por causa disso", lamentou.
O Notisul não conseguiu o contato de telefone da empresa para falar sobre as reclamações dos moradores, mas passou o caso para a fiscalização da Fatma. Estudos apontam que os motivos da poluição do ar vão além das indústrias. Qualquer pessoa com o uso de motocicletas e carros também causa prejuízos à atmosfera. Além disso, os rios poluídos e áreas de florestas degradadas interferem diretamente nas condições climáticas e na qualidade do ar.