Os 100 novos leitos permanentes do Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch, na zonal sul da capital paulista, exclusivos para atender pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) com a Covid-19 foram entregues nesta segunda-feira (27). Participaram da cerimônia de inauguração representantes das empresas envolvidas na construção, do hospital, além de inúmeras autoridades estaduais e municipais, entre elas o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

O projeto da expansão tem DNA tubaronense e foi assinado pela Brasil ao Cubo (BR3), construtech pioneira em construção modular industrializada no país. O método construtivo desenvolvido e utilizado pela empresa permitiu que a finalização da obra ocorresse em apenas 33 dias, sete antes do prazo previsto e isso já considerado um recorde para a história da construção civil brasileira. Para se ter uma ideia, os primeiros 40 leitos foram entregues em apenas 20 dias.

O centro de tratamento para pessoas com o novo coronavírus foi viabilizado por meio de uma parceria entre a Ambev, Gerdau, Hospital Israelita Albert Einstein – responsável pela gestão, e prefeitura de São Paulo. Após a pandemia, os novos leitos irão integrar a rede municipal de saúde. O investimento é de aproximadamente R$ 10 milhões.

“Não temos dúvida da capacidade que a gente tem no Brasil, do conhecimento e da tecnologia que temos. Essa iniciativa aqui é mais uma prova da nossa capacidade como nação, como povo. Colocar um hospital de pé em 20 dias, com o nível de qualidade que nós estamos entregando é realmente um motivo de referência. Tem poucos países que têm essa capacidade de fazer isso. Dentro do Brasil isso é um motivo de orgulho e referência”, avalia o diretor de marketing da Gerdau, Marcos Faraco.

Além de parte do aporte financeiro, a companhia forneceu todo o aço necessário para a construção. Faraco ainda elogiou o trabalho e o empenho dos inúmeros colaboradores das empresas envolvidas. “Eu achei que ficou excepcional. Se me deixassem aqui eu nem saberia que tinha sido feito tão rápido e em módulos. Encontrar uma empresa que pudesse fazer isso de forma super rápida, que pudesse fazer de aço e ainda encontrar um parceiro que quisesse fazer isso junto com a gente. Então conseguimos alinhar muitas estrelas. Acho que tem um pedacinho do coração dos 15 mil colaboradores da Gerdau aqui, porque essa estrutura não funcionaria sem o aço. Teve gente que pediu para voltar das férias e colaborar. Cada lugarzinho que eu olho tem um pedaço nosso. Esse sonho sem a Gerdau não seria construído, ajudamos a construir esse sonho em aço”, concluiu o diretor.

“Somos capazes de fazer coisas espetaculares quando temos um propósito. Nesse momento difícil que estamos passando, estamos no reinventando. Em como construir algumas coisas em tempo recorde e de como aprender. Aprendemos muito. Talvez se não estivéssemos nessa crise toda demoraria anos para aprender o que aprendemos com a construção desse hospital. Aprendemos em dias. Esse é o grande aprendizado que teremos daqui pra frente dentro da Ambev. Como usar a mesma intensidade para construção desse hospital para tudo o que formos construir na nossa companhia. Ou seja, dá para fazer coisas muito mais rápidas e muito mais espetaculares quando usamos intensidade e temos um propósito por trás”, analisa o diretor técnico da Ambev, Valdecir Duarte.

A nova unidade de internação tem mais de 1.300m² e foi construída no estacionamento interno do hospital. São dois pavimentos que possuem ligação com a edificação já existente por meio de passarelas modulares. Cada pavimento é composto por áreas de apoio que incluem posto de enfermagem e de serviços, farmácia, sala de utilidades, depósito de materiais de limpeza e copa de distribuição. Ao todo são 16 quartos e que totalizam os 100 leitos de baixa complexidade para pacientes em observação com suspeita de contaminação ou casos leves de coronavírus.

“Quando eu entrei aqui eu não acreditei no presente que a gente estava ganhando. A instalação é perfeita. É um hospital e foi construído tão rápido! Ele vai fazer tanta diferença na vida de tanta gente. Não só agora. Lógico que estamos focando todos os esforços para a Covid-19, mas a gente está dando um presente para uma população que precisa muito, na região de São Paulo mais carente para leito hospitalar. Então ele não é só um hospital que foi montado para a Covid-19, ele é um bem que vai ficar para essa população depois. Então é fantástico. Fantástico é pouco. Não encontro adjetivo para descrever”, enfatizou a diretora médica dos hospitais municipais geridos pelo Albert Eintein, Fabiana Rolla, bastante emocionada.

Ela explica que, quando surgiu a possibilidade da construção de uma unidade especificamente para os pacientes com a Covid-19, os diretores do Albert Einsten escolheram o M’Boi Mirim para implantação do centro de tratamento por vários motivos, entre eles por ser uma das regiões mais carentes da cidade. O hospital, que foi inaugurado em abril de 2008, é referência na zona sul da capital paulista e atende as regiões do Jardim Ângela, Campo Limpo e Capão Redondo que juntas somam uma população de 700 mil habitantes.

“Essa é a região com a menor quantidade de leitos em São Paulo. A gente tem meio leito para cada mil habitantes, enquanto São Paulo tem algo em torno de três leitos para cada mil habitantes. É uma região que realmente precisa e é SUS dependente. Depois da Covid-19 vamos ter a possibilidade de operar pacientes que hoje esperam oito anos por uma cirurgia, vamos poder atender melhor os pacientes com aumento da capacidade operacional”, justificou. De acordo com a prefeitura de São Paulo, 574 profissionais irão trabalhar no local no combate ao coronavírus.

A unidade foi construída por meio do sistema de construção modular off-site BR3. São 70 módulos, ou seja, sete dezenas de partes totalmente produzidas no parque fabril da Brasil ao Cubo em Tubarão e que se encaixam perfeitamente entre si. Os módulos foram transportados até a capital paulista em carretas prancha. No local escolhido foram acoplados na infraestrutura também preparada por equipes da empresa.

O diretor-presidente e fundador da Brasil ao Cubo, engenheiro Ricardo Mateus, ressalta que não se trata de um hospital de campanha, como os que vem sendo montados de forma temporária no país para o enfrentamento do coronavírus. A unidade tem caráter definitivo e segue todas as rigorosas normas e padrões exigidos pelas autoridades de saúde brasileiras para projetos hospitalares. Ricardo ainda salienta que a tecnologia utilizada pela construtech Brasil ao Cubo é capaz de antecipar, em muitos casos, até 6 vezes o processo de construção na comparação com o modelo tradicional brasileiro de alvenaria.

“Essa obra mostra que a engenharia brasileira é bastante desenvolvida. Não precisamos olhar só lá para fora, mas também para dentro do Brasil. Temos empresas capazes de desenvolver obras tão rápidas, sustentáveis e econômicas. Basta ter as conexões certas e parceiros que estejam dispostos a entregar tanto à sociedade. Foi um prazer muito grande entregar esses leitos para uma comunidade tão carente”, avalia o diretor-presidente da Brasil ao Cubo, Ricardo Mateus.

Cerca de 300 colaboradores da Brasil ao Cubo trabalharam na execução da obra, além de outros inúmeros da Tecverde – construtech do Paraná que auxiliou na execução das paredes, bem como arquitetos e engenheiros no projeto. Com uma infraestrutura física e equipe especializada, atenderá com segurança, qualidade e conforto. “Das obras que eu já participei, essa aqui foi a que mais me representou. De repente o pessoal nem vai mais lembrar, mas pra mim isso aqui é um orgulho”, disse Leonardo Guimarães, funcionário da BR3.

“Parceiros que se unem num momento de dificuldade com a visão de fazer o bem e ajudar aquelas pessoas que precisam. Isso não tem preço. E eu me emociono porque a gente está entregando dignidade, saúde e oportunidade para quem precisa. Isso daqui é fruto da crença de muitas pessoas no trabalho sério que a gente faz. Então, na verdade, isso catapulta a nossa responsabilidade e também nossa energia que a gente está no caminho certo para fazer mais, muito mais, e melhor”, avalia a diretora do hospital.

Uma das passarelas que liga a antiga construção a área de expansão recebeu uma obra do arquiteto, artista plástico e muralista Gabriel Menezes, o Mena. Um coração branco ao centro com inúmeros traçados coloridos ao redor. “São as cores do arco íris e cada uma representa uma coisa em especial. O azul a paz, o roxo a transformação, o verde a cura, o amarelo a alegria, o laranja a criatividade e o vermelho o amor. Então que a junção de todos esses sentimentos e estados humanos possam realmente chegar a uma pessoa que está precisando de um auxílio, que está doente e está vindo aqui se tratar. E aqui ela vai se tratar tanto da cura física, quando da cura do coração através desse portal do amor”, conclui Mena.