Enquanto os brasileiros acompanham apreensivos e com grande preocupação o avanço da Covid-19 no país e no mundo, a construção de um centro de tratamento para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) na capital paulista impressiona. Isso porque, em um prazo considerado drástico para a construção civil convencional, a construtech tubaronense Brasil ao Cubo (BR3) entregou neste domingo (12) a primeira etapa da obra que compreende 750m² e abriga 40 leitos hospitalares. Foram necessários apenas e exatos 20 dias para que os cerca de 300 colaboradores chegassem a este resultado final. A mesma obra, construída no modelo tradicional brasileiro, levaria quatro meses para ficar pronta.

Especialistas no setor da construção civil apontam que uma obra convencional utiliza cerca de 80 horas de trabalho por cada metro quadrado construído. Já na construção modular, método utilizado pela Brasil ao Cubo, esse índice cai para 10 horas por metro quadrado ou menos. Resultado da combinação entre o eficaz sistema construtivo industrializado, planejamento e cuidadosa gestão.

O centro de tratamento está sendo construído anexo ao Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr Moysés Deutsch, na zona sul de São Paulo, que é gerido pelo Hospital Israelita Albert Einsten. No total serão 100 leitos, em um espaço de 1.350m², que irão atender exclusivamente pelo SUS. Após a pandemia do coronavírus, a unidade será doada pela Ambev e pela Gerdau, idealizadoras da iniciativa, à prefeitura de São Paulo e passará a integrar a rede municipal de saúde. O valor da obra é de R$ 10 milhões e será totalmente custeado pelas duas empresas.

O diretor-presidente da Brasil ao Cubo, engenheiro Ricardo Mateus, ressalta que não se trata de um hospital de campanha, como os que vem sendo montados de forma temporária no país para o enfrentamento do coronavírus. A construção deste centro de tratamento tem caráter definitivo. O imóvel tem dois andares e é divido em duas alas. Já foram entregues também, nesta primeira etapa, as rampas de acesso ao hospital existente.

Graças ao sistema criado pela BR3, os módulos são feitos no parque fabril da empresa em Tubarão e levados para São Paulo em carretas. No local escolhido é feita a acoplagem. Eles dispõem de toda a parte elétrica, hidrossanitária, tubulações de ar comprimido, revestimentos internos, bacias e louças, e todo aparato necessário para utilização. Além disso – seguindo o projeto aprovado, já são entregues pela empresa com aparelhos de ar condicionado, mobília (camas e mesas laterais de apoio), barras de acessibilidade nos banheiros para pessoas com necessidades especiais, lâmpadas de LED, piso vinílico hospitalar, aquecedor solar para a água dos chuveiros e pintura epóxi lavável. Tudo seguindo as rigorosas normas e os padrões exigidos pelas autoridades de saúde brasileiras para projetos hospitalares.

Ricardo destaca ainda o sincronismo entre as diversas frentes de trabalho da BR3 e da Tecverde – construtech paranaense que tem apoiado na construção das paredes; envolvidas na fabricação e montagem. Engajamento crucial, na visão dele, para execução do projeto que se tornou um desafio para os colaboradores devido ao prazo tão curto.

“A conclusão desta primeira etapa nos mostra o engajamento do nosso time. Engajamento e superação de cada um. Mas o mais importante disso tudo são as vidas salvas nesse momento tão crítico que estamos vivendo”, avalia o diretor-presidente.