Wagner da Silva
Grão-Pará

Novamente os 200 funcionários do frigorífico Santa Bárbara encontraram os portões da empresa fechados. A informação era de que a empresa, localizada na comunidade de Rio Pequeno, em Grão-Pará, iria reabrir ontem. Sem receber o salário de dezembro, décimo terceiro, férias e horas extras, os trabalhadores tomaram a frente da avícola.

Esta é a terceira vez em menos de um mês que eles tiveram que voltar para casa de mãos abanando e sem saber o que farão daqui para frente. “Contávamos com este dinheiro para comprar os presentes de Natal e saldar dívidas. E agora?”, reclama, indignado o trabalhador Sidinei Moreira.

O coordenador do departamento de recursos humanos do frigorífico Santa Bárbara informou aos funcionários que a empresa não dispunha dos mais de R$ 100 mil para efetuar o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas. Acompanhado de dois seguranças, o coordenador disse ainda que não há prazo de quando o pagamento será efetuado, mas assegurou que a documentação dos funcionários será liberada para que eles possam encontrar outro emprego enquanto a situação no Santa Bárbara não é resolvida.

Proprietário continua
preso na Polícia Federal

Apesar de passar por dificuldades financeiras, o problema do frigorífico Santa Bárbara, na comunidade de Rio Pequeno, em Grão-Pará, agravou-se com a prisão, em flagrante, do proprietário da avícola, Flavio Mazutti. Ele é acusado de reutilização de produto impróprio para consumo e continua detido na sede da Polícia Federal, em Florianópolis, desde 19 do mês passado.
Segundo a investigação, Flavio teria comprado um lote de contêineres de frango que estavam no porto de Navegantes. O alimento, porém, não poderia ser comercializado. Tudo deveria ter sido destruído em função do incêndio registrado no porto, em novembro de 2009.

A Polícia federal tomou conhecimento do fato através de uma denúncia anônima feita ao Ministério da Fazenda. Na ocasião, Mazutti declarou que o produto seria enviado para uma fábrica de ração, mas uma perícia do Serviço de Inspeção Federal (SIF) constatou a irregularidade e ele foi preso.
Esta não é a primeira vez que Mazutti é citado em casos de desvio de carga. Em 2008, o empresário foi acusado de participar de um esquema semelhante no Paraná.