Indústria cerâmica de Sangão, a exemplo do que ocorre em Morro da Fumaça e outras cidades, não consegue retirar a matéria-prima para a produção devido ao assoreamento do Rio Urussanga
Indústria cerâmica de Sangão, a exemplo do que ocorre em Morro da Fumaça e outras cidades, não consegue retirar a matéria-prima para a produção devido ao assoreamento do Rio Urussanga

 

Zahyra Mattar
Jaguaruna
 
Com dificuldades para seguir adiante na produção, rizicultores e ceramistas da região sul catarinense farão um protesto na manhã de hoje. O manifesto, pacífico, será feito na ponte sobre o Rio Urussanga, na divisa de Jaguaruna com Morro da Fumaça. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fará o monitoramento do trânsito.
 
A ação é organizada pelos produtores de arroz da Amurel e da Amrec, pelo Sindicato Rural de Jaguaruna e pelo Sindicato dos Ceramistas de Sangão. O grupo pretende chamar a atenção para as dificuldades em ambos os setores.
 
Uma das reivindicações é o desassoreamento do Rio Urussanga. Com as chuvas, uma área de aproximadamente dois mil hectares de arroz é afetada. Paralelamente, o setor ceramista da região tem a extração do barro, matéria-prima da indústria, comprometida, já que as jazidas ficam embaixo d’água.
 
O segundo ponto é pressionar pela votação imediata, pelo congresso, do novo Código Ambiental Brasileiro. A falta da lei também desestabiliza os dois setores. O último ponto é em relação ao preço do arroz. Hoje, os valores praticados não suprem o custo da produção e estão praticamente empatados com a quantia paga pelo governo federal.
 
“Nas duas últimas safras (2009 e ano passado), tivemos preços baixos e tragédias climáticas. Não há mais como suportar isto. A maioria já trabalha no vermelho”, frisa o presidente do Sindicato Rural de Jaguaruna, Rui Geraldino Fernandes.
 
Nesta safra, a produção de uma saca de 50 quilos de arroz custa, em média, R$ 25,00. A indústria paga R$ 23,00 pela mesma quantidade e o governo federal compra a R$ 25,80.