Em uma das últimas sessões de 2019 e, portanto, com volume bastante reduzido, o dólar seguiu o rumo em direção aos R$ 4,00, espelhando o comportamento mais fraco da moeda dos Estados Unidos no exterior e, internamente, a perspectiva positiva com relação à melhora da economia brasileira em 2020, que vem permeando as decisões dos investidores.

Na mínima do dia, a divisa americana no mercado spot desceu a R$ 4,0467. No entanto, um fluxo de saída ocorreu na tarde desta quinta-feira, pressionando para reduzir o ritmo de queda que vinha desde a etapa matutina. De acordo com Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, as saídas não chegam a afetar a ponto de virar o sinal porque, basicamente, está forte a perspectiva dos investidores de que o Brasil já entra em 2020 com a economia impulsionada. “Essa convicção de que uma economia mais forte pode atrair recursos externos mantém o dólar com sinal negativo”, afirma.

Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, nas três primeiras semanas até o dia 20 de dezembro, o fluxo cambial do país ficou negativo de US$ 13,690 bilhões. O canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 17,348 bilhões no período. Isso é resultado de aportes no valor de US$ 49,954 bilhões e de retiradas no total de US$ 67,302 bilhões. Já no ano, com a mesma data de corte acima, o fluxo foi negativo em US$ 40,846 bilhões ante resultado positivo de US$ 2,646 bilhões em igual período do ano passado.

Hoje mais cedo, dados de confiança de Serviços e de Comércio vieram positivos indicando que a sensação é de retomada da economia brasileira no ano que se avizinha.

O ambiente externo também ajudou a dar o tom no mercado cambial local. O dia seguiu com os investidores favoráveis a tomar risco e com o dólar enfraquecido principalmente em relação às moedas de países emergentes. A maior parte dessas divisas, da mesma forma que o real, se valorizou ao longo da sessão mercada, localmente, por um baixo fluxo. O cenário positivo tem como pano de fundo o otimismo em meio à assinatura do acordo comercial entre os Estados Unidos e a China. Os termos do entendimento estariam apenas aguardando ajustes finais de tradução.

O dólar à vista encerrou o dia a R$ 4,0615 em queda de 0,49%. No mercado futuro, a divisa ficou cotada a R$ 4,0565, com recuo de 0,66%, com giro financeiro de US$ 10,85 bilhões.

Ibovespa

Na antepenúltima sessão do ano, com liquidez moderada, o Ibovespa deu novo sinal de que deve fechar 2019 em torno de máximas históricas, que têm sido pulverizadas em padrão quase diário nas últimas semanas. Neste retorno de Natal, não foi diferente: como aqueles apressados que sobem a escada de dois em dois degraus, o Ibovespa, que já havia rompido a inédita casa de 116 mil pontos pela manhã, aprofundou-se em terreno não mapeado para fechar o dia acima dos 117 mil pontos.

O principal índice da B3 encerrou a sessão em alta de 1,16%, aos 117.203,20 pontos, estabelecendo nova máxima de fechamento e, um pouco mais cedo, também intradia. O giro financeiro ficou em R$ 16,1 bilhões, com o índice oscilando entre 115.672,53 pontos, na mínima, e 117.219,91 pontos no pico da sessão, em dia também positivo em Nova York, onde o índice de tecnologia, Nasdaq, tocou e superou pela primeira vez a marca de 9 mil pontos – as três referências de NY seguem nas máximas históricas, renovadas hoje mais uma vez.

Com entusiasmo lá e aqui, o índice MSCI Brazil, que reúne ADRs de empresas brasileiras negociadas em Nova York, fechou o dia em alta de 2,21%, a 47,69.

No Brasil, a melhora nos índices de confiança dos segmentos de comércio e serviços, em levantamento mensal da Fundação Getulio Vargas, bem como o forte desempenho reportado pela Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop) nas vendas de Natal, foi o catalisador inicial dos ganhos. “O mercado tem se mantido eufórico com a melhora da perspectiva econômica para 2020, em uma progressão praticamente linear, que o deixa exposto a uma correção maior caso algum fato negativo sobrevenha”, diz Gabriel Machado, analista da Necton, casa que projetava a princípio 112 mil para o Ibovespa no fechamento de 2019 e que estima 137 mil como meta para o próximo ano.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, há uma condição sem precedentes que favorece não apenas a progressão observada este ano, mas também postergação de eventual correção: inflação bem ancorada em horizonte de alguns anos, ao menos até 2021, e com Selic na mínima histórica, hoje em 4,5% mas podendo chegar a níveis ainda menores, como 4%, em 2020. Tal combinação de fatores favorece o maior apetite por risco, especialmente se a disputa EUA-China, como sinalizado em dezembro, permanecer em algum grau de dissipação no próximo ano.

O desempenho do Ibovespa em 2019, acima do que não poucos anteviam no início do ano, ocorreu a despeito da falta de apoio do investidor estrangeiro. De acordo com os mais recentes dados disponíveis, os estrangeiros retiraram R$ 349,867 milhões da B3 no pregão da última sexta-feira.

Naquele dia, o Ibovespa fechou estável (-0,01%), a 115.121,08 pontos, após ter também renovado máximas nos dias anteriores, com giro financeiro de R$ 25,2 bilhões naquela sessão. Em dezembro, o saldo acumulado segue negativo em R$ 3,777 bilhões, apesar de o Ibovespa acumular até aqui ganho de 8,29% no mês. No ano, o saldo está negativo em R$ 43,033 bilhões, enquanto o Ibovespa acumula alta de 33,36% em 2019.

Juros

Em mais uma sessão de recorde histórico da Bolsa brasileira e de alívio do dólar, os juros futuros tiveram baixa em toda a curva. Sem drivers e com liquidez menor por causa das festas de fim de ano, houve espaço para a devolução de prêmios nos contratos e movimentos técnicos. Entre operadores, a expectativa repousa sobre a agenda de amanhã, quando saem o IGP-M, a taxa de desemprego e o resultado do governo central.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular a 4,590% e a estendida em 4,580% (mínima), de 4,620% no ajuste de segunda-feira, e a do DI para janeiro de 2023 fechou com taxa de 5,860% (regular e estendida), de 5,920% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 6,510% (regular) e 6,500% (estendida), de 6,570% no ajuste de segunda-feira, e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 6,930% no ajuste do pregão passado para 6,850% na regular e 6,840% na estendida.

O viés de queda foi preponderante desde a abertura dos negócios, realçando os movimentos nos mercados de ações e de câmbio. No caso do dólar, em especial, o recuo da cotação ante o real levou para baixo as taxas mais longas do DI.

Nesta sessão, o Ibovespa rompeu os 117 mil pontos e renovou mais uma máxima histórica de fechamento. O dólar caiu a R$ 4,06, embora tenha tocado pela manhã o nível de R$ 4,04. No exterior, o dia foi de alívio nas taxas, com os juros dos Treasuries em queda em toda a curva.

“Há um movimento de ajuste nos juros, de devolução dos prêmios de risco ao que está acontecendo nos outros mercados (Bolsa e dólar)”, comentou o economista e operador de renda fixa da Nova Futura, André Alírio. “Há um movimento de queda na curva, uma percepção, de fato, mais otimista. De alguma forma, o mercado está desenhando fechar o ano em uma configuração mais ‘pró-Brasil’.”

Principal índice do mercado de ações brasileiro, o Ibovespa votou a fechar no maior nível da história. O indicador encerrou esta quinta-feira aos 117.203 pontos, com alta de 1,17%. Essa foi a segunda sessão consecutiva de recorde do índice.

Apenas em dezembro, o Ibovespa acumula alta de 8,29%. No ano, o índice subiu 33,35%.

No mercado de câmbio, o dia foi marcado pela queda da moeda norte-americana. O dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 4,062, com recuo de R$ 0,017 (-0,42%). A divisa acumula queda de 4,21% em dezembro.