Cristiano Carrador
Tubarão

O livro Nosso Lar mostra uma série de questões interessantes e relevantes na vida de André Luiz. Quando estava no Umbral, além das agressões e pavores provocados por “irmãos que ainda estão por lá”, definem os espíritas, ele era chamado de suicida. Não entendia o porquê. Além disso, estava vivo, consciente de si.

Com o tempo, já na colônia Nosso Lar, recebeu a explicação. O suicídio foi causado pelos excessos. Bebidas alcoólicas, fumo, a sífilis. No mundo espiritual, a definição de que qualquer movimento que prejudique o corpo físico é uma espécie de suicídio. Não tanto quanto o suicídio voluntário, com o qual quem comete passará por situações bem delicadas em planos inferiores.

Depois de ter melhorado em Nosso Lar, André Luiz questionou às equipes do hospital e ao ministro Clarêncio, responsável pelo seu resgate, sobre a questão de ter sido chamado de suicida, recebeu a explicação. Questionava sobre a vontade de rever a esposa, os filhos. A resposta era de que ainda não havia chegado o momento. Não estava preparado para ver que a sua ex-esposa já havia casado-se com outro.

Quando a hora da visita chegou, também a compreensão do porquê. Em um primeiro momento, um pouco de espanto, mas ele já estava maduro para entender que era mesmo necessária a continuidade da vida de quem permanece na terra. Com passes magnéticos, ajudou na recuperação do novo companheiro da sua ex-esposa. Ele estava bem doente.

Depois de um tempo, também reencontrou a sua mãe. Em visita, pois ela desenvolvia atividades em um plano superior a Nosso Lar, onde André ainda não poderia ir. Reencontrou pessoas com quem conviveu na Terra. Como um ex-devedor de seu pai e uma jovem no hospital espiritual.

André chegou a ficar receoso ao encontrar o antigo devedor de seu pai, ficou um pouco constrangido, mas, em um diálogo, o homem o agradeceu pela cobrança, caso contrário, não aprenderia a frear os ímpetos e a não adquirir mais débitos materiais e espirituais. A moça havia sido funcionária na casa dos pais de André, ele envolveu-se com ela, que colocou sobre ele algumas expectativas. Não deu, ela chegou a se prostituir e adquiriu doenças. André descobriu o amor dela por ele, concluiu sobre os comprometimentos que envolvem as relações na Terra. Há muito para escrever e ler sobre o livro e sobre outras obras psicografadas pelo médium Chico Xavier, ditadas por André Luiz…

Mobilização
O filme sobre a vida de Chico Xavier foi sucesso de público. Nos primeiros dias, lotava, o prazo de exibição foi ampliado. No caso de Nosso Lar, integrantes do movimento espírita organizam sessões extras. Se na primeira semana o público atingir um número satisfatório, a Fox Filmes pode levá-lo para o exterior.

Convicções

Integrantes da doutrina espírita colocam a razão e a fé lado a lado. Creem em Deus, o qual, segundo eles, ainda não é possível definir, pela grandeza, bondade, onipotência, onipresença. A base é os ensinamentos de Jesus. Ninguém recebe títulos, cargos especiais no movimento. Lidam com a mediunidade, a comunicação com outros planos, com seriedade e, principalmente, estudo. “A doutrina me dá a certeza da vida eterna, explica com pormenores, lógica, o outro lado da vida. Somos tocados o tempo todo pelo mundo espiritual, a maioria ainda não tem consciência para perceber, mas todos terão um dia”, ressalta o advogado Marcelo Cardozo.

“Depois do filme sobre a vida de Chico Xavier, este grandioso homem, sua história de abnegação e amor ao próximo, chega o Nosso Lar. O Livro dos Médiuns, no seu capítulo XVI, acerca dos médiuns especiais, asseverou: para que uma comunicação seja boa, é necessário que provenha de um espírito bom e para que esse espírito bom possa transmiti-la, precisa dispor de um bom instrumento. Chico o fez”, exemplifica Carlos Roberto Rebelo, presidente do Conselho Regional Espírita 15 (CRE-15), sediado em Tubarão.

“Nosso Lar é dos livros mais instigantes da extensa lavra do médium Chico Xavier. Ele é rico em detalhes. Quando o lemos, nossa mente fervilha procurando imaginar a narrativa precisa do espírito André Luiz em seu retorno ao mundo espiritual. O filme será uma ótima oportunidade para vermos a ‘materialização’ do conteúdo desta grande obra. Creio na eternidade da vida, e Nosso Lar ilustra perfeitamente um dos vários planos que iremos passar em nossa trajetória evolutiva”, enalteceu o empresário Luiz Antônio Botega, o Toni.