#PraCegoVer Na foto, um suíno
Suinocultores de Braço do Norte e região farão um protesto para chamar a atenção dos governos federal e estadual para a situação nebulosa da cadeia produtiva - Foto: Julio Cavalheiro | Governo de Santa Catarina | Divulgação

Devido a forte crise que assola a suinocultura catarinense, principalmente os produtores independentes, a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), juntamente com o Núcleo Regional de suinocultores de Braço do Norte e região, o Sindicato Rural de Braço do Norte e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, farão um manifesto na próxima terça-feira (29), às 9h30min, na Praça Padre Roer, da Igreja Matriz, no Centro da cidade. Além e exporem a dramática situação que impacta economicamente muitos municípios da região, os produtores irão distribuir carne suína para a população como forma de incentivar o consumo. “A situação é de desespero. Estão todos endividados, o preço dos insumos está nas alturas e não há previsão de baixa no valor do milho e da soja. Sabemos que o mercado trabalha com a lei da oferta e da procura. Mas no momento não há como esperar. Os governos, federal e estadual precisam agir e adotar medidas paliativas. É isso ou amargar a falência de muitos negócios e famílias que dependem desta atividade”, declara o membro da ACCS e secretário de agricultura da Prefeitura de Braço do Norte, Adir Engel.

Somente em Braço do Norte, existem pelo menos 27 estabelecimentos ligados à cadeia da suinocultura. Conforme Adir, se a crise continuar e 50% deles fechar, a impacto econômico no município pode gerar um revés muito maior do que se imagina. Nesta segunda-feira, a notícia extraoficial de que o Governo do Estado pretende aumentar o ICMS para 12% sobre a carne suína gerou ainda mais preocupação. Hoje os produtores pagar 7% de ICMS. Além de inviabilizar a produção, a alta poderá gerar um incremento de 5% sobre a cesta básica, pois este percentual é o mesmo para outras culturas, como arroz, feijão e outros insumos que compõem a alimentação mais básica da população. “Não se trata apenas da sobrevivência dos suinocultores, mas da população. Por isso iremos levar este manifesto para praça pública, literalmente, pois todos precisam ser alertados”, antecipa Adir Engel.

Em janeiro, o custo de produção de um suíno estava em cerca de R$ 8,00 o quilo. O milho, principal insumo, estava com preço médio de R$ 100,00 o quilo. Em contrapartida, o valor médio pago ao produtor pela indústria á época não ultrapassava a média de R$ 4,50 por quilo de suíno vivo. Isto significa R$ 3,50 de prejuízo por quilo. A conta é bem simples: um suíno de 100 quilos custa R$ 800,00 para o produtor. Na venda, ele recebe míseros R$ 450,00 da indústria. O resto – R$ 350,00 – é prejuízo. Agora, a situação é ainda mais amarga e são estes números atuais que serão apresentados. Para se ter uma ideia, a bolsa abriu nesta segunda-feira (21) pagando R$ 4,70 pelo suíno vivo. Um valor que não cobre nem a água utilizada para a produção.

Informações, Adir Engel, membro da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)
Texto: Zahyra Mattar | Notisul

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