Não foi fácil começar a escrever esse texto. Enquanto entrevistava ao telefone Lucinara Mina de Oliveira, que perdeu a mãe ontem (23) e o tio hoje para a Covid-19, fiquei sem palavras. Não deu para segurar ao ouvir sua voz embargada, choro e muito sofrimento.

No meio jornalístico é primordial não nos envolvermos com histórias para não prejudicar o trabalho e assim fazemos, ou tentamos o máximo. Mas em meio a tudo que vivemos, também somos humanos! E há situações que isso foge do controle. Quando noticiamos fatos ruins de quem não conhecemos já não é fácil. Do caso contrário fica mais complicado.

Porém, em meio a uma doença que matou e continua fazendo vítimas, abalou o mundo em vários aspectos, a empatia fala mais alto! E empatia é o que mais está faltando nos dias atuais…

João Negão, como era chamado, morre aos 71 anos
João Geraldo de Souza, 71 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (24), a 1h, no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, onde estava há cerca de uma semana, entubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

João Negão, como era chamado pelos amigos, e tinha muitos, possuía problemas renais (rins). Ele deixa esposa, três filhos e netos.

Criou sua família na Cidade Natal, de onde nunca saiu. Foi um homem trabalhador que se dedicou à família e aos amigos. Atuou profissionalmente sempre como mecânico de tratores da Região Sul, muito conhecido e requisitado pela qualidade de seus serviços.

Ele também se envolvia em outras causas, atualmente era um dos diretores do Clube Primeiro de Maio, em Tubarão. E ontem (23) sua irmã Maria José Mina, de 77 anos também perdeu a vida para essa doença misteriosa…

“Um não suportaria viver sem o outro, ela foi ontem para não ver ele partir”
Lucinara conta que a família está arrasada. “Não consigo chorar, estou anestesiada, ainda não caiu a ficha, é muito dolorido”.

Ela revela que os dois irmãos sempre foram muito apegados, conviveram a vida juntos, próximos, amigos, coisas de alma. “Um não suportaria viver sem o outro. Ela foi ontem para não ver ele partir”, emociona-se com choro.

“Tem pessoas que não acreditam, só quando a doença passa a ter nome, alguém da família ou muito próximo. Apelo às pessoas, mantenham-se em casa, cuidem-se, é um estalo, a gente não vê, é uma doença silenciosa, tem que respeitar o isolamento. Deus está no comando, mas é muita coisa, então temos que nos cuidar”, alerta Lucinara.

Irmãos ficaram no mesmo quarto
Maria José Mina, 77 anos, morreu na madrugada de quinta-feira (23), às 3h. Ela estava internada há cerca de 20 dias e entubada no HNSC.

Segundo Lucinara, sua mãe tinha acabado de fazer uma cirurgia no pé e deu complicações. Maria era viúva, deixou quatro filhos, oito netos e oito bisnetos

“Os dois chegaram a ficar juntos na UTI e, em um momento, ele chamou o médico e perguntou se era uma mulher que tinha um corte na perna. Ficaram unidos até o fim.”

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