sábado, 3 outubro , 2026

Em debate, Marina confronta Bolsonaro sobre direito das mulheres

Pressionado por adversários no segundo debate entre os candidatos à Presidência da República, promovido na noite de ontem (17) pela Rede TV!, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, hesitou ao ser confrontado em temas sensíveis à sua candidatura. Bolsonaro teve dificuldades de responder uma questão sobre a dívida pública e foi acusado pela candidata da Rede, Marina Silva, de fazer “vista grossa” à discriminação que sofrem as mulheres. Diferentemente do primeiro encontro entre os presidenciáveis, o assunto ética na política foi frequente e o PT, sem representantes no encontro, alvo de ataques. 

 

O terceiro bloco do debate reservou um embate entre Bolsonaro e Marina, respectivamente líder e segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto sem a presença do ex-presidente Lula da Silva, preso e condenado na Operação Lava Jato e registrado no Tribunal Superior Federal (TSE) como candidato do PT. 

“Você disse que a questão dos salários melhores para as mulheres é uma coisa que não precisa se preocupar porque já está na CLT”, questionou a candidata da Rede. “Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor que os homens e ter a mesma capacidade, a mesma competência e ser a primeira a ser demitida e a última a ser promovida e quando vai na fila de emprego, só por ser mulher, não se aceita. É uma questão que tem que se preocupar, sim, porque quando se é presidente da República tem que fazer cumprir o artigo 5º da Constituição Federal, que diz que nenhuma mulher deve ser discriminada. E não fazer vista grossa dizendo que não precisa se preocupar.”

Ao responder, Bolsonaro partiu para o ataque e acusou Marina de ser uma evangélica que defende plebiscito para a legalização do aborto e da maconha. O candidato do PSL disse ser a favor do direito das mulheres de portar arma de fogo. Na tréplica, Marina rebateu lembrando o episódio em que Bolsonaro foi fotografado em Goiânia ensinando uma criança a fazer, com as mãos, o gesto de uma pistola. “A coisa que uma mãe mais quer é educar os filhos para que eles sejam homens de bem. Você é um deputado, pai de família. E você um dia desse pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar. É esse o ensinamento que você quer dar ao povo brasileiro?” A atuação da candidata da Rede – única mulher presente – foi ressaltada pelo presidenciável do PSOL: “Quero parabenizar você, Marina, por ter colocado Bolsonaro no seu lugar. Eleição não se ganha no grito”, disse Guilherme Boulos. 

O debate passou por vários temas econômicos: desemprego, teto de gastos, reforma tributária e outros. Na parte em que jornalistas perguntavam para os candidatos, Bolsonaro foi questionado se deve ser papel do presidente da República se preocupar com o Orçamento da União e a parcela destinada ao pagamento da dívida pública. “Cabe ao presidente da República, são números absurdos, meus economistas dizem que tem solução, mas será difícil”, afirmou o candidato do PSL, que costuma dizer que assuntos econômicos serão respondidos por seu eventual ministro da Fazenda, o economista Paulo Guedes. Na continuação da resposta, Bolsonaro apontou como solução a redução do tamanho do Estado, privatizações, além de facilitar vida de quem quer abrir empresa no Brasil e diminuir encargos trabalhistas. Ele disse ainda querer que “empregados e patrões sejam amigos e não inimigos”.

Púlpito

Antes do início do debate, a emissora decidiu retirar o púlpito que seria de Lula. Segundo apurou o Estado, a Rede TV! consultou os candidatos pouco antes do início do evento sobre a manutenção do espaço, mesmo vazio, da chapa petista. Apenas Boulos foi favorável a manter o púlpito. Ainda no primeiro bloco, Alvaro Dias questionou Marina Silva sobre a potencial inelegibilidade da candidatura de Lula, sem citar o ex-presidente. Ele classificou a atual situação como uma “vergonha nacional”. “O político inelegível não é um preso político. É um político preso. E essa encenação de candidatura é uma afronta ao País”, disse o candidato do Podemos.

Sem representante no estúdio, o PT foi alvo no debate. Alckmin citou o partido ao defender a PEC do Teto dos Gastos, que, segundo ele, foi uma medida contra o “estouro” das contas públicas. Em referência ao número do partido adversário que “foram 13 anos de PT, 13 milhões de desempregados”. Em seguida disse que a PEC do Teto dos Gastos foi uma “vacina contra o PT”. Mais tarde, questionado sobre a “velha política”, o tucano admitiu que o PSDB também sofre com questionamentos éticos. “Nós também estamos fragilizados”, disse Alckmin.

Por outro lado, Meirelles voltou a se associar a Lula – que lidera as pesquisas de intenção de voto -, mas foi vinculado por adversários ao presidente Michel Temer. “O presidente Lula então eleito, me chamou para presidir o Banco Central. Lá criamos mais de 10 milhões de empregos. Depois voltei para ser ministro da Fazenda para corrigir a bagunça feita por Dilma”, afirmou o candidato do MDB, ao se apresentar no início do evento.

Quando questionado por um jornalista sobre o que não repetiria do que viu na gestão Lula, Meirelles afirmou que não iria adotar o loteamento de cargos. “Não houve nas minhas áreas loteamento de cargos.” Foi contestado por Bolsonaro. “MDB é o símbolo do toma lá da cá, muitos ministros estão envolvidos na Lava Jato, indicação política, seu partido nunca abriu mão, abocanhar mais e mais ministérios, mais e mais diretoria de estatais, ai surge ineficiência do Estado e ai surge a corrupção”, afirmou o candidato do PSL. Conhecido pelo temperamento explosivo, Ciro se manteve cordial com todos os concorrentes, e com os jornalistas. Por diversas vezes, pediu “perdão” quando ultrapassou o tempo permitido. Na maioria das vezes, escolheu Alckmin para responder suas perguntas.

Continue lendo

Horóscopo deste sábado (3): Lua Minguante destaca emoções e encerramentos

IMAGEM IA NotisulTempo de leitura: 5 minutosO horóscopo deste sábado (3) é marcado pela Lua em Câncer e pelo Quarto Minguante, que ocorre às...

Pelo Estado – Eleições 2026: regras e os principais candidatos 

  Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às...

Nunes Marques fará pronunciamento em rede nacional antes do 1º turno

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, fará um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão neste sábado (3),...

Lei Seca nas Eleições: veja onde há restrição de bebidas no 1º turno

A Lei Seca nas Eleições terá regras diferentes pelo país no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4). Pelo menos nove estados...

Lula e Flávio concentram agenda no Sudeste na reta final

Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram os últimos compromissos de campanha no Sudeste antes do...

Eleitorado brasileiro no exterior cresce 31% para as eleições de 2026

O número de brasileiros aptos a votar fora do país cresceu 31,82% nas eleições de 2026 em comparação com o pleito de 2022. Segundo...

Trânsito no Centro de Tubarão muda a partir deste sábado

A Prefeitura de Tubarão altera, a partir deste sábado (3), a circulação de veículos em três ruas do Centro. As mudanças atingem a Rua...

Sul de SC terá frio, calor e temporais no fim de semana

FOTO Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutosO fim de semana terá mudanças importantes no tempo no Sul de Santa Catarina. A sexta-feira (2) começa fria...