Dormimos em um mundo e acordamos em  outro.

De repente a Disney não tem mais magia.

Paris já não é mais romântica.

E mesmo quem tem boca não pode ir a Roma.

Em NY todos dormem.

E a muralha da China não é uma fortaleza.

De repente abraços e beijos tornaram-se armas.

E não visitar pais  e avós tornou-se um ato de amor.

De repente, descobrimos que poder não tem tanto valor.

E dinheiro não tem tanto poder…

O pequeno texto a cima, de autor desconhecido, retrata com fidelidade a realidade dos dias em que vivemos. Feliz dos que podem estar dentro de seus lares, junto de suas famílias. Mas muitos, por conta do ofício que exercem, além de se expor dioturnamente trabalhando em prol da sociedade com a possibilidade de contágio a todo o instante, ainda ficam privados de manterem contatos físico com as pessoas que mais amam e de convívio diário, seus entes mais queridos.

Um exemplo próximo de situações como esta é a do médico Dr. Saul Pereira Junior, um braçonortense que atua profissionalmente em Criciúma e manifestou em sua página no facebook a bela atitude do seu filho Benjamin, de cinco anos. Como o pequeno não pode se aproximar fisicamente do pai, deu seu jeito de expressar o amor e o desejo de que toda essa situação se resolva o mais breve possível. Ele percebeu, mesmo muito novo, que isso será necessário para poder voltar a dar aos seus pais, ambos médicos, o tradicional abraço inocente e carinhoso que só uma criança sabe oferecer.

“Beijo pai, melhora”

A frase que emocionou o médico, em um ‘aviãozinho’ foi: Beijo pai, melhora. Dr. Saul conta que o abraço sempre ao chegar em casa do trabalho era uma constante, até a chegada do coronavírus. Em virtude dos riscos de contaminação, a família toda precisou se adequar a uma nova rotina por um período indeterminado. E essa foi a forma do pequeno Benjamin, dizer o quanto espera ansioso para que as coisas voltem ao normal.

Junto com a foto em uma postagem o médico explica: “Este foi o aviãozinho que meu filho de 5 anos, Benjamin, me jogou ontem. Pois desde o início da campanha de isolamento, e do hospital de campanha, tenho me isolado de minha família, por estar trabalhando diretamente na linha de frente de combate à pandemia do coronavírus. Já há alguns dias não me aproximo de minha esposa e muito menos dos meus filhos, mesmo sem qualquer sintoma, pois evitarei transportar o #coronavirus para minha família. FICA EM CASA. Isto não é por mim, mas por todos. A sequela emocional para alguns será enorme, ao lembrar-se de não poder abraçar ninguém, e ter de jogar um aviãozinho pra ser ouvido. Vamos trabalhar isto”.