Grupos de apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), começaram a chegar em Brasília, neste fim de semana, para a posse que ocorre na próxima terça-feira (1º/1). Parte dos eleitores decidiu fazer vigília na porta da residência oficial da Granja do Torto, onde o pesselista está hospedado, na tentativa de ver por alguns segundos o futuro titular do Palácio do Planalto.

O aposentado Luiz Carlos Debiasi, de 68 anos, é de São Leopoldo (RS). Ainda na época da pré-campanha fez uma promessa à neta de que, caso Bolsonaro fosse eleito, iria de Brasília para Brasília. Não deu outra. O gaúcho pegou seu automóvel, que estava estacionado na garagem, colou uma grande foto do futuro presidente e pegou estrada com destino à capital federal. Foram dois dias de viagem ao lado do amigo e mecânico Luiz Roberto Meister. Pensando na saga, eles refizeram o motor do veículo e se revezaram no volante.

“Não tivemos nenhum contratempo. Os problemas maiores foram na chegada. As estradas do Distrito Federal estão muito ruins. Da última vez que estive aqui, há muitos anos, era tudo um tapete. Hoje, está tudo esburacado”, protestou Debiasi.

Do outro extremo do país, três cearenses também se propuseram um um desafio parecido: vir do Nordeste para Brasília a bordo de um Fiat 147. “O nosso [carro] não foi reformado e as estradas por lá são muito piores que as do Sul. Mas, ainda bem, o veículo atravessou a viagem sem apresentar problemas”, celebrou Gerson Alves, 45 anos, um dos passageiros do veículo. Ao todo, ele e os amigos percorreram mais de 2 mil km.

Foram quatro dias de viagens e contamos com vários apoiadores. Cada adesivo deste aqui é de alguém que nos ajudou de alguma forma nessa aventura. Viemos prestigiar nosso presidente”, afirmou Antônio José Cavalcante, 50. Ele, que é cadeirante, e César Carneiro, 40, completaram o time oriundo do município cearense. “Liberta, Paramonti” é um dos dizeres afixados no carro em crítica ao fato de a cidade ser comandada por uma dobradinha entre o prefeito Eduardo Feijó Santos (PDT) e o vice, Paulo Sergio Mariz Santos (PT), políticos de partidos adversários de Bolsonaro.

Militantes e fiéis eleitores de Bolsonaro, João Henrique Nunes, 67, Lúcia Brond, 61, e Margarete Almeida Quador, 57, deixaram Pelotas (RS), no Rio Grande do Sul, com a determinação de acompanhar a posse do presidente eleito. No caso deles, o conforto falou mais alto e decidiram vir a Brasília de avião. “Nós trabalhamos muito e de graça para eleger Bolsonaro. Hoje, estamos aqui e vamos ver com os próprios olhos, porque a gente ajudou nessa vitória”, vibrou Lúcia.

Em ritmo de aventura, outros apoiadores do futuro presidente vieram a Brasília com os chamados motorhome, veículo com estrutura completa de uma casa. Coronel da Polícia Militar de São Paulo, André Magri chegou nesse sábado (29) e, com o filho e o major Sérgio Neves, instalou-se na área externa do Albergue da Juventude, próximo ao Hospital do Câncer Infantil.

“É uma pena que uma cidade como Brasília não nos ofereça a estrutura ideal para quem tem como hobby viajar desta forma. Os funcionários do albergue foram muito dedicados, mas tudo teve de ser adaptado. Fora do país, eles valorizam esse modo de transporte. Aqui, foi muito difícil”, contou o militar, que encomendou o seu próprio carro, com opcionais personalizados. A fábrica desse tipo de veículo é no Rio Grande do Sul.

No carro vizinho está a família de Dionísio Campos. Com a esposa e o filho Tiago, Dionísio saiu de Porto Alegre (RS) rumo a Brasília. Assim que chegou ao Distrito Federal e se instalou também no Albergue da Juventude, o primeiro ato da família foi hastear a bandeira do Brasil. “O nosso país está voltado para nós”, disse.