Florianópolis

O resultado das eleições para governador de Santa Catarina foi uma verdadeira surpresa. Enquanto as pesquisas eleitorais apontavam um possível segundo turno no estado, as urnas mostraram ao contrário, com vitória do democrata Raimundo Colombo. O candidato da coligação “As pessoas em primeiro lugar” conquistou 52% dos votos válidos. Angela Amin (PP), que projetava um segundo turno, recebeu 24% dos votos, enquanto Ideli Salvatti (PT) obteve 21%. Os demais candidatos somaram, juntos, 2%.

Tanto Colombo como o vice, Eduardo Moreira (PMDB), comemoraram o resultado em suas cidades, Lages e Criciúma, respectivamente, e antes das 22 horas de ontem seguiram para Florianópolis, onde as festas continuaram no bar Koxixos. Em entrevista ao Notisul, Moreira agradeceu a vitória aos eleitores catarinense. “Vencemos com dignidade e lealdade e só temos que agradecer em quem acreditou em nossa força”, disse, antes de embarcar para a capital.

Colombo também não escondeu a emoção e confessou que foi pego de surpresa ao se eleger no primeiro turno. “Receber esse tanto de votos, que é uma forma de demonstrar que Santa Catarina acreditou na nossa coligação, me dá uma alegria muito grande e também uma tarefa de continuar gerindo este estado maravilhoso. Valeu pela força, valeu pela harmonia”, conclui.

Em suas primeiras palavras sobre o futuro da gestão como governador, Colombo reassumiu o compromisso de priorizar a saúde e aproximar a gestão pública dos catarinenses. “Quero ser o mais prefeito dos governadores, estar junto do povo para decidir as prioridades para cada região”, destacou.

Virada
Raimundo começou as pesquisas na segunda posição, com cerca de 20% de preferência. A candidata Angela Amin (PP) aparecia com uma vantagem de aproximadamente 15%. Com o apoio da militância do DEM, PMDB, PSDB, PPS, PTB e demais partidos da polialiança, aliado ao tempo de televisão e as visitas aos municípios, Colombo obteve a virada.

PP pode apoiar Dilma

A família Amin sofreu a quinta derrota consecutiva em uma corrida por cargos no executivo. A candidata ao governo pelo PP, Angela Amin, que conquistou 24,91% dos votos válidos, perdeu ontem a segunda chance de alcançar o comando de Santa Catarina. Em 1994, no segundo turno, ela foi derrotada por menos de 2% dos votos para Paulo Afonso Vieira (PMDB).

Em uma campanha corajosa, com aliança reduzida, integrada apenas PDT e PT do B, o PP acabou sendo novamente superado pelos governistas, que incorporavam novamente a força da tríplice aliança. “Não faltou nada. Foi muito esforço e empenho dos nossos parceiros, que foram para as ruas. Nossa política continuará sendo voltada àquele cidadão que precisa de mais apoio. E oportunidade de disputar não vai faltar”, ressaltou ela.

O candidato a vice-governador de Angela, Manoel Dias (PDT), garante que tentará trazer o PP catarinense para o projeto de eleger Dilma Rousseff (PT), que passou para o segundo turno com José Serra (PSDB). Até então, a deputada federal havia optado pela neutralidade no plano nacional. “O PP já faz parte da base do Governo Federal. Vamos tentar fazer uma aliança com o partido para eleger a Dilma”, destacou ele.

Luis Henrique e Paulo Bauer no senado

Para o senado, não houve surpresas em Santa Catarina. O ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) conquistou uma vaga após receber 1.777.589 votos. Luiz Henrique, que está na estrada política desde 1970, participou de 12 eleições. Foi deputado estadual, prefeito de Joinville e governador do estado. Ele quer levar ao senado uma de suas principais bandeiras: o fortalecimento dos estados e municípios, inspirado na política da descentralização implantada em Santa Catarina.

A outra vaga catarinense para o senado será ocupada pelo ex-secretário de educação, Paulo Bauer (PSDB). Ele recebeu 1.583,083 votos. Luiz Henrique e Bauer fizeram campanha juntos pela coligação “As pessoas em primeiro lugar”. Bauer participa da política desde a infância, quando presenciou o pai, Victor Bauer, ser prefeito de Jaraguá do Sul.
Em 1998, foi indicado pelo PFL para ser vice de Esperidião Amin. Como vice, assumiu interinamente o governo 13 vezes.

Ideli lamenta

A senadora Ideli Salvatti (PT), que alcançou 21,89% dos votos, atribui a derrota aos números da boca de urna que apontavam 24% das intenções. “Com certeza, fui prejudicada mais uma vez. Em 2002, quando concorri ao senado, eu era a quinta colocada e no final fui a mais votada”, comparou. Para ela, os eleitores foram persuadidos a votar nos candidatos Raimundo Colombo (DEM) e Angela Amin (PP).

“Isso é muito sério, as pessoas indecisas tendem a votar em quem tem mais chance de vencer. Com certeza, vamos acionar nossos representantes jurídicos quanto a isso”, completou. Depois da divulgação do resultado, Ideli preferiu o silêncio e pretende manifestar-se apenas hoje. Ideli votou em Florianópolis às 9h13min, em uma maneira de tentar atrair sorte ao partido. Logo depois, seguiu de helicóptero para Jaraguá do Sul, cidade de seu candidato a vice, Guido Bretzker.