Durante 11 anos, a dentista Egídia Moura, 44, tentou engravidar pelo método convencional e fez seis fertilizações in vitro. Na última tentativa, o médico disse que uma possibilidade de ela ser mãe seria por meio de uma barriga solidária. A irmã mais nova ’emprestou’ seu útero, gerou Maria Teresa e tornou o sonho de Egídia em realidade. A seguir, ela conta sua história: 

“Eu me casei em 2002 e, no mesmo ano, comecei a tentar engravidar pelo método tradicional, mas não consegui. Em 2004, eu fiz a primeira fertilização in vitro. Ao total, foram seis. Após realizar vários exames, descobri que tenho as trompas obstruídas e por isso não consegui engravidar durante os 11 anos que tentei. Era uma decepção toda vez que não dava certo. Eu me sentia incapaz e inferior em relação às outras mulheres.

Eu dizia que não ia mais tentar, mas passava um tempo, criava coragem e tentava novamente. A vontade de ter uma filha era maior do que a frustração de não ter engravidado. No meu interior, tinha a convicção de que seria mãe de um jeito ou de outro. 

Eu e o meu marido, o Jurandir, estávamos pensando em adotar uma criança quando o meu médico disse que havia a possibilidade de termos um bebê por meio de uma barriga solidária. Minha primeira reação foi de susto, mas, depois, considerei a ideia, só não gostaria que fosse alguém fora do meu círculo familiar. Minha mãe se ofereceu, mas ela já tinha 60 anos, não queria colocar a saúde dela em risco.

Fiz uma reunião com as minhas três irmãs e expliquei a situação. Elas presenciaram a minha luta e sofrimento de perto. A caçula, a Élida, disse que poderia ser minha barriga solidária, falou que eu merecia essa oportunidade, só expressou que primeiro gostaria de ter um filho. Só Deus é capaz de explicar uma atitude tão humana, especial e nobre como a dela e do marido, o Ricardo, que fizeram isso por nós. 

Ela engravidou da minha sobrinha e, quando a bebê completou um ano, fez a fertilização com o meu óvulo e o esperma do meu marido. Soube do resultado no meu aniversário de 40 anos. 

Minha irmã e o meu marido foram ao meu consultório com um par de sapatinhos vermelhos e me deram o melhor presente que eu poderia receber. Eu chorava de emoção, foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Eu e o Jurandir participamos ativamente da gestação da Élida, a acompanhamos em todos as consultas do pré-natal. Eu fiz um diário da gravidez onde registrei todas as fases, desde o planejamento até o 1º ano de vida da minha filha, a Maria Teresa. Colava as imagens dos ultrassons, fazia anotações sobre os resultados dos exames, a descoberta do sexo, escrevia como me sentia em relação ao que estava acontecendo. Fiz isso para poder contar a história dela quando ela nascesse. 

Procurava criar vínculo com a Maria Teresa fazendo carinho, beijando e passando a mão na barriga da minha irmã. Em nenhum momento, senti ciúmes ou fiquei frustrada por não gerá-la. Essas eram questões muito bem resolvidas. 

Quando ia comprar as coisas do enxoval, dizia para as vendedoras que era para a minha filha. Elas não entendiam por que não viam minha barriga grande.

Eu esclarecia a situação e ficava tudo bem. Nunca fui criticada pela escolha que fiz.

A Maria Teresa nasceu no dia 9 de julho de 2014 com 4,1 kg e 52 cm. Acompanhei o parto do centro cirúrgico. Quando ela nasceu, fomos para uma sala e consegui amamentá-la –fiz um tratamento para estimular a produção de leite. Foi maravilhoso, era um sonho realizado. 

A relação da Élida e do Ricardo com a minha filha é ótima. Eles são padrinhos dela. Um dia, minha sobrinha contou que a Maria Teresa havia saído da barriga da mãe dela. Ela me perguntou se era verdade. Eu disse que sim, expliquei que plantei uma sementinha na barriga da ‘dindinha’ porque a minha não crescia, mas que a dindinha a entregou quando ela nasceu, e que ela é da mamãe e do papai. 

Acredito que o ápice da vida da mulher e de um casal é ter filhos. Ter a Maria Teresa por meio da barriga solidária da minha irmã coroou a minha felicidade. Hoje me sinto completa. Somos eternamente gratos pelo gesto da Élida e do meu cunhado, jamais poderemos retribuir o que eles fizeram por nós.”