Amanda Menger
Tubarão

Em um mundo globalizado é possível comprar e vender produtos para países da Europa, Ásia, África e Estados Unidos. Parece uma maravilha, não é mesmo? Mas, também significa que quando há um problema em um país, isso pode influenciar os demais. E é exatamente este o cenário agora. Os Estados Unidos estão à beira de uma crise econômica, e os reflexos poderão ser sentidos no Brasil.

Os problemas tiveram início há quase seis meses quando os bancos começaram a receber uma ‘onda’ de calotes. Os americanos têm um sistema diferente para a compra da casa própria. “Eles fazem hipotecas e levam muitos anos para quitar tudo. O que ocorreu foi que os bancos emprestaram para quem não tinha condições de pagar. É a chamada hipoteca podre”, esclarece o doutor em economia Jaílson Coelho.

A inadimplência gerou um efeito cascata. Os bancos usavam o dinheiro das hipotecas para financiamentos e para as movimentações financeiras. Com o não pagamento das dívidas, a moeda deixou de circular. “A conseqüência disto é que a indústria da construção civil deixou de pegar empréstimos e de pagar os que tinham feito e muitas pessoas foram demitidas”, afirma Coelho.

A construção civil é uma das maiores indústrias nos Estados Unidos, assim como é no Brasil. A crise das hipotecas gerou instabilidade na economia como um todo porque passou a influenciar diversos setores. Agora, o governo americano tenta diminuir os efeitos colaterais e uma das medidas foi diminuir a taxa de juros. “A intenção deles com isto é estimular o consumo e, assim, gerar emprego e renda”, explica o economista.

Exatamente o contrário do que ocorreu no Brasil. Aqui, o Comitê de Política Monetária, o Copom, do Banco Central, resolveu manter a taxa selic no mesmo patamar que fechou 2007: 11,25%. “O objetivo aqui é conter o consumo, porque isso mantém a inflação baixa”, observa.

Se a crise vai atingir o Brasil? O economista acredita que sim, mas, desta vez, estamos melhor preparados. “Nossas relações comerciais são próximas. Exportamos para eles 20% do que produzimos, mas as reservas cambiais são maiores, o que suporta os impactos”, analisa.