Após a pior recessão da história, a economia brasileira começa a dar sinais de que o pior já foi superado. Nas contas do Banco Central, o país cresceu 1,12% no primeiro trimestre deste ano: número influenciado pelo bom desempenho da agricultura. Apesar da surpresa positiva, os dados do IBC-Br- o índice construído pela autoridade monetária que tenta simular o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) – não convenceram os economistas de que o Brasil entrou de vez na rota de crescimento vigoroso.

Eles esperam a aprovação da reforma da previdência e a definição do cenário político do ano que vem. Enquanto isso, continuam preocupados com os dados do fim do trimestre, que mostraram que a economia ainda derrapa.

No mês de março, o IBC-Br ficou negativo em 0,4%, o que indica que a recuperação da economia não é um processo linear. No entanto, o resultado foi bem melhor que a queda de 1% estimada pelos analistas. Mesmo sem continuar a ter resultados positivos, os dados foram encarados como o encerramento do pior ciclo econômico do país. Desde o segundo trimestre de 2015, o Brasil estava em recessão.

“Os dados nos dão confiança de que após uma recessão de 11 trimestres, a economia atingiu um ponto de inflexão durante o primeiro trimestre”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos.

Para o economista da Canepa Investimentos Carlos Macedo, lembra que a surpresa do IBC-Br não é tão relevante para uma melhora considerável das expectativas.

Ao todo, o mercado financeiro aposta em uma alta de 0,5% do PIB neste ano. Essas previsões podem mudar ao sabor dos próximos indicadores. Por enquanto, o dado do BC reflete os números mais atuais. Na conta mais recente, a produção industrial, por exemplo, registrou um crescimento de 0,6% no primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE. Foi o primeiro resultado positivo em três anos.

Já o comércio brasileiro fechou o primeiro trimestre com alta de 3,3% no volume de vendas. Houve um melhora generalizada em vários segmentos. Apenas o setor de serviços não mostrou recuperação. Ficou estável em relação ao último trimestre do ano passado.

ICB-Br

O IBC-Br foi criado pelo BC para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses

Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia. O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

Fonte: O Globo