Carolina Carradore
Laguna

O reajuste de aproximadamente R$ 0,15 no preço do litro do álcool repassado aos postos do estado levou o combustível a ter uma desvantagem na competitividade em relação à gasolina para os veículos total flex. Em menos de um mês, o álcool subiu cerca de 15%. Com a adição de 25% de álcool anidro na gasolina, o combustível também teve reajuste de cerca de R$ 0,05 por litro.

O acréscimo causou uma queda de 70% nas vendas do combustível nos postos da região, segundo informa o delegado do Sindicato do Comércio Varejista de Combustível, Valdo Viana Filho. Em compensação, a procura pela gasolina aumentou em 65%. “Na última semana de dezembro, vendi cerca de mil litros de álcool por dia. Hoje, a venda não chega a 300 litros por dia”, afirma o delegado, dono de um posto de gasolina, em Capivari de Baixo.

Na região, o novo preço já é praticado na maioria dos postos. Quem não aumentou trabalha com estoques antigos e ainda não precisou comprar álcool com o preço reajustado. O último relatório divulgado pela Agência Nacional de Petróleo apontava: Tubarão oferecia os menores preços do litro do álcool no estado, R$ 1,93.
Nesta sexta-feira, quem abastecia o veículo com álcool nos principais postos pagava de R$ 2,010 a R$ 2,14, o litro. A gasolina é encontrada por R$ 2,68. “É mais cara, mas compensa porque rende mais que o álcool”, explica Valdo.

Açúcar valorizado no exterior

Para o delegado do Sindicato do Comércio Varejista de Combustível da região, Valdo Viana Filho, o aumento do álcool é consequência da venda do açúcar no exterior. Os usineiros preferem deixar de produzir etanol para investir na venda de açúcar no mercado exterior. Com isso, segundo análise do delegado, usineiros que ainda têm o produto aproveitaram para subir o preço.

As chuvas e a quebra na safra de açúcar da Índia também podem ser as vilãs desta redução na produção da cana-de-açúcar e do aumento significativo do preço do álcool no Brasil. Valdo acredita que a tendência, se o mercado continuar aquecido com a venda de açúcar, é a estabilização do preço do combustível, pelo menos até a nova safra. Ele teme até uma possível falta do combustível ainda este mês. A situação só irá ser normalizada quando o preço for reduzido em pelo menos 15%.