O esquema acima, preparado pela Cidasc, mostra o banco de areia imenso que já se forma exatamente na ‘boca’ do canal da barra. Serão removidos cerca de 100 metros cúbicos de areia do canal
O esquema acima, preparado pela Cidasc, mostra o banco de areia imenso que já se forma exatamente na ‘boca’ do canal da barra. Serão removidos cerca de 100 metros cúbicos de areia do canal

 

Zahyra Mattar
Jaguaruna
 
A ‘boca’ do canal da barra do Camacho, que liga as lagoas do Camacho, Garopaba e Santa Marta ao mar, tem, quando desassoreada, aproximadamente 35 metros de largura. Hoje, está com, no máximo, 15 metros. Bancos de areia já estão bem visíveis pelo canal.
 
A última abertura ocorreu em agosto de 2007. Foi feita pela Cidasc. Mais de 90 mil metros cúbicos de areia foram retirados. Uma obra avaliada em mais de R$ 323 mil e validade máxima de cinco anos. Neste mês, mais uma ação desta será feita.
 
A confirmação é do secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Haroldo Silva (PSDB), o Dura. Somente a Cidasc tem o equipamento para fazer o trabalho. Por conta disso, não será preciso licitar a obra. A draga foi reformada e já está no pátio da regional da Cidasc.
 
A companhia aguarda apenas a ordem de serviço para começar o trabalho, que deverá levar cerca de 100 dias para ser executado. Com a dragagem, a vazão de água é contínua e ideal por cinco anos. Depois disso, é preciso remover novamente a areia trazida pelo mar.
 
“A barra não está fechada e isso não ocorrerá este ano, mas a vazão já é pequena. Não vamos esperar para ficar como em 2007. Já temos os recursos garantidos. Custará cerca de R$ 500 mil para remover aproximadamente 100 metros cúbicos de areia”, antecipa o gerente regional da Cidasc em Tubarão, Claudemir dos Santos.
 
Possivelmente nesta semana, técnicos do órgão deverão fazer a última medição para saber com exatidão a quantidade de material a ser extraído. A medida visa garantir o sustento de dezenas de famílias que vivem da pesca nas lagoas em Jaguaruna e Laguna.
 
Construção dos molhes ainda é só um projeto
O trabalho de dragagem da barra do Camacho, em Jaguaruna, é paliativo. A solução definitiva para a abertura do canal está em duas obras pleiteadas há tantos anos que ninguém mais lembra quantos: a ampliação de 150 metros dos molhes lado norte e sul (dentro do mar) e o término da proteção de pedras lado norte.
Estas obras estão orçadas em R$ 2,6 milhões. A verba chegou a ser pleiteada junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas o projeto ficou fora dos investimentos previstos para o ano passado e não há indicativo de que seja incluso no PAC 2.
“Mesmo com esta obra, a dragagem sempre será necessária, mas não com tanta frequência. Quem sabe com a redragagem do Rio Tubarão também possamos fomentar mais este investimento. Seria o complemento ideal para a prevenção de cheias”, sugere o gerente regional da Cidasc em Tubarão, Claudemir dos Santos.
 
Custo x benefício
♦ A barra do Camacho recebe um número considerável de afluentes e, com a influência do mar, de tempos em tempos sofre assoreamento em determinado ponto, o que dificulta a passagem da água dos rios e lagoas ao oceano.
♦ Com os detritos existentes nos afluentes, ocorre uma redução drástica de oxigenação nas águas e, consequentemente, a diminuição gradual da vida marinha.
♦ A redragagem do canal da barra aumenta a salinidade no interior das lagoas, o que permite a entrada de peixes e crustáceos.
♦ A abertura do canal é sinônimo de sobrevivência para cerca de duas mil famílias distribuídas entre as comunidades de Camacho, Santa Marta, Santa Marta Pequena, Garopaba do Sul, Cigana, Riacho dos Francisco, Canto da Lagoa, Jabuticabeira e Laranjal.
♦ Desde a construção dos molhes da barra, as obras de abertura já foram realizadas em quatro ocasiões antes de agosto de 2007, quando foi realizada a última: dezembro de 1995, dezembro de 1997, abril de 2000 e setembro de 2005.
♦ Além de beneficiar diretamente a pesca, a abertura do canal diminui consideravelmente os riscos de cheias em Jaguaruna, Laguna, Treze de Maio e Tubarão.