Amanda Menger
Tubarão

Os brasileiros mais velhos têm guardados na memória os tempos, não tão distantes assim, em que o tal “dragão” da inflação corroía os salários e as economias. Pois parece que o “bicho” está de volta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem apontam que a inflação de junho foi de 0,74% e no semestre chega a 3,64%. No mesmo período de 2007, a inflação era de 2,08%. Deste índice, o grupo que mais contribuiu foi o de alimentos. O preço dos produtos subiu 2,11%, e é o maior desde janeiro de 2003.

Nos alimentos, os maiores aumentos ficam por conta dos componentes do prato típico do brasileiro: feijão (alta de 38,21%) e arroz (alta de 15,55%). “Nós últimos meses, o preço dos alimentos realmente subiu. Está tudo mais caro. Isso é resultado de diversos fatores, entre eles uma tendência de ajuste dos preços, porque durante muitos anos, os alimentos praticamente não subiram se comparados com outros produtos”, observa o economista João Antolino Monteiro, e professor da Unisul.

Existem outros fatores. “Também é visível que as pessoas estão comendo mais, não apenas no Brasil, mas em outros países, porque a economia mundial vive um momento de crescimento. Além disso, houve quebra na safra de alguns produtos e quando algo está em falta, o preço sobe”, justifica.

Também pesaram no bolso dos consumidores os aumentos dos combustíveis, em especial o gás encanado (8,76%) e o gás veicular (8,31%). “As pessoas só têm duas formas de aumentar as rendas. Ou arruma um segundo, terceiro emprego, ou reduz as despesas. Bom seria se conseguíssemos fazer os dois. Mas, em geral, já ajuda bastante diminuir os custos, cortando os produtos supérfluos e avaliando bem as compras”, argumenta o economista.