Tubarão

Muitos jovens, adultos e idosos não se preocupam com a saúde do coração, mas deveriam. Cerca de 30% das mortes no Brasil ocorrem por causa de doenças cardiovasculares, a maior causa de óbitos no mundo todo, o infarto é o grande vilão. Também chamado de infarto agudo do miocárdio, esse problema pode ser fatal.

Conforme o médico cardiologista, Ricardo Pereira da Silva, de Tubarão, o infarto ocorre quando uma das artérias que irriga o coração ‘entope’ ou fica próximo de entupir causando danos ao coração. “É mais comum no inverno devido a vasoconstricção dos vasos (os vasos ficam mais finos devido ao frio). Há cinco principais fatores de risco: hipertensão, tabagismo, diabetes, dislipidemia (colesterol elevado) e histórico familiar (pais, irmãos ou no máximo avós, que tiveram infarto < 65 anos para mulheres e < 55 anos para homens). Atualmente, acredita-se que o estresse é um fator de risco também, porém é uma informação mais subjetiva”, expõe.

Acredita-se que os mais jovens têm uma saúde mais forte por causa da idade, o que não é certo. Isso porque, cada corpo tem uma resposta, que está relacionada ao cuidado que a pessoa tem. Os mais novos podem apresentar mais energia física para suportar e superar um infarto. No entanto, não possuem a circulação colateral, que é uma proteção que o corpo desenvolve depois dos 40 anos. “Um infarto trata-se de uma placa lipídica (gordura) em um ou mais vasos responsáveis pela irrigação de sangue do coração, que rompem e fazem com que obstrua o vaso totalmente ou parcialmente, causando danos ao musculo do coração. Trata-se de um rompimento de placa dentro do vaso, e, não ruptura do vaso em si. A incidência em crianças e jovens e extremamente baixa na faixa etária abaixo de 35 anos. Com essa faixa etária, a principal causa de morte súbita é arritmia maligna”, afirma o profissional de medicina.

Ele conta que os grupos mais propensos ao infarto são aqueles pacientes que apresentam mais fatores de risco e ou que já apresentaram infarto previamente. No verão a incidência do infarto é menos comum, pois os vasos ficam mais dilatados. Idosos acima de 70 anos estão mais propícios por se tratar da principal causa de morte no mundo, a natural, pela própria idade avançada.

O profissional destaca que o principal sintoma de um infarto é a ‘dor no peito’. “Trata-se de uma dor no meio do peito ou retroesternal de forte intensidade, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, região dorsal (costas) e até epigástrio (‘boca do estomago’), associado a um ‘suor frio’, náusea que não alivia com analgésicos simples. A dor dura em média de 15 a 40 minutos”, enfatiza.

O cardiologista lembra que o sintoma ‘angina’ é uma dor no peito relacionado ao coração, porém não necessariamente, a pessoa precisa estar infartando. Angina não é uma doença, mas um sintoma. Deve-se ficar atento àquele paciente que tem dor no peito ao realizar esforço físico ou estresse emocional importante. Clientes diabéticos e muito idosos podem ter sintomas mais atípicos, como uma dor no estomago, falta de ar ao esforço físico”, assegura.

O que fazer em caso de um infarto?

Ao aparecem os primeiros sintomas, chame socorro ou dirija-se a um hospital imediatamente. Quanto maior a demora, maior o risco. Se você está ajudando alguém com suspeita de infarto, tome algumas precauções enquanto espera por ajuda médica.

Ao identificar os sintomas, deve-se procurar imediatamente um pronto socorro/ emergência para avaliação de um médico com eletrocardiograma. “Normalmente estes pacientes devem ser avaliados imediatamente, após passarem pela triagem. Caso o cliente seja avaliado e não confirmado o infarto, deve-se analisar os fatores de risco e sintomas para definir se será internado ou não para a investigação. Se for liberado, procurar um cardiologista ambulatoriamente assim que possível. Ao identificar que o paciente esteja infartando, observar a possibilidade de realizar um exame chamado cateterismo para avaliar qual o vaso (artéria coronária) é responsável pelo quadro. O paciente deverá permanecer monitorado e se possível, em um ambiente de UTI”, explica.

Os principais cuidados para reduzir o risco do infarto envolvem uma alimentação balanceada, com pouca gordura saturada e evitar excesso de carboidrato. Consequentemente evitando a obesidade, praticar exercícios físicos regulares, não fumar ou cessar o tabagismo e evitar o excesso da ingestão de bebida alcoólica.

Reabilitação: Atividades físicas leves são indicadas após infarto

Quem já sofreu um infarto tem diversas dúvidas em relação aos perigos do esforço físico depois de um problema de saúde como este. Se este é o seu caso ou de alguém próximo, saiba que o exercício físico depois do infarto é fundamental no processo de recuperação, além de ajudar na prevenção de novas doenças cardiovasculares.

De acordo com Ariane da Silva Mendes, da Ready Personal Trainers, de Tubarão, a rotina de exercícios, porém deve ser orientada por um especialista, levando em conta as condições de cada pessoa. “Após a liberação do médico cardiologista, o indivíduo precisa iniciar um programa de exercícios físicos para melhorar a sua capacidade cardiorrespiratória. Contudo, é importante que essa orientação seja realizada por um profissional de educação física qualificado. Deve-se sempre respeitar a fase de recuperação do paciente, baseada na avaliação médico. Respeitado isso, não existem contraindicações quando o paciente está bem monitorado e acompanhado por vários profissionais”, destaca.

Ariane conta que as orientações do Colégio Americano de Medicina Esportiva e da Associação Brasileira de Cardiologia é que o indivíduo realize exercícios cardiovasculares de intensidade baixa a moderada nos primeiros meses. Ela expõe que o trabalho entre os profissionais de educação física e de cardiologia é sempre multidisciplinar. “O médico e o profissional de Educação Física ao compartilharem informações sobre a saúde do paciente, contribuem para uma recuperação mais rápida e assertiva. Fisioterapeutas e nutricionistas também contribuem muito”, observa.

Estudos demonstram que a reabilitação cardíaca é imprescindível para evitar o surgimento de novas doenças do coração. A reabilitação envolve médicos, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos e uma rotina de algumas sessões semanais de exercícios físicos supervisionados. “Quanto maior a capacidade cardiorrespiratória (VO2) do indivíduo, menores os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares. Por isso, todo indivíduo precisa medir com regularidade, sua capacidade cardiorrespiratória, com o médico cardiologista e assim, o médico pode identificar possíveis alterações cardiovasculares de forma precoce, contribuindo para intervenções rápidas e menos invasivas. Manter-se em atividade contribui para um melhor desempenho nos esportes e nas atividades de vida diária, como subir escadas, caminhar até o trabalho”, pontua.

Compromisso com a saúde do indivíduo

O exercício físico pode aumentar a capacidade de função cardiovascular e diminuir a demanda de oxigênio miocárdico para um determinado nível de atividade física. A reabilitação na fase aguda do infarto objetiva reduzir os efeitos deletérios de prolongado repouso no leito, o controle das alterações psicológicas e a redução da permanência hospitalar. “Em qualquer doença cardíaca, sabemos que existe um mal funcionamento das estruturas cardíacas e que as respostas fisiológicas e hemodinâmicas são diferentes dos indivíduos sem a doença. Contudo, o exercício físico orientado é de grande importância para a recuperação do paciente. O uso de frequencímetros para o controle da intensidade do exercício é de extrema importância durante os treinamentos, só dessa forma o profissional de educação física poderá monitorar a real intensidade do exercício e garantir a segurança e efetividade deste treinamento”, detalha.

Ariane afirma que o profissional de educação física tem o compromisso com a saúde do indivíduo, seja na reabilitação ou na melhora dos parâmetros de saúde como controle glicêmico, controle e prevenção da hipertensão arterial sistêmica e outras doenças, melhora da qualidade de vida (melhora da qualidade do sono, redução das dores articulares e musculares, redução do estresse por meio da liberação de serotonina após os treinamentos, entre outros).