Carolina Carradore
Tubarão

Ontem, servidores da saúde deflagraram greve no setor por tempo indeterminado. Em todo o estado, a adesão foi de 60% entre funcionários de hospitais públicos e servidores do Hemosc.

A paralisação dificulta os trabalhos da campanha “Doe sangue, faça alguém nascer de novo”, promovida desde semana passada pelo Ministério da Saúde. Em Criciúma, dez dos 13 funcionários participaram ontem de manifesto realizado em frente à assembleia legislativa, em Florianópolis. O desfalque dificultou o atendimento no Hemosc da cidade, que conta com o apoio dos colaboradores da Fundação de Apoio aos Hemocentros (Fahece). Uma força-tarefa foi mobilizada para dar conta do recado.

Por conta da campanha, o número de doadores de sangue aumentou nos últimos dias. “Colocamos funcionários do ambulatório para atender. O atendimento está mais lento, mas ninguém vai para casa sem doar”, garante a gerente administrativa da Fahece, Dilnéia Patrício Pereira. A escassez no banco de sangue estava tanta que, semana passada, cirurgias chegaram a ser canceladas em hospitais da cidade. Esta semana, a procura aumentou de 40 para 60 doares diários. “Ainda precisamos de sangue O negativo e B negativo”, pede Dilnéia.

Cirurgias canceladas em Tubarão
Em Tubarão, os trabalhos da unidade de coleta do Hemosc continuam na normalidade, uma vez que nenhum dos oito funcionários do estado aderiu à greve. “Aqui, não temos outros colaboradores, só servidores do estado. Somos solícitos à greve, mas, se formos aderir ao movimento, teremos que fechar as portas”, explica a enfermeira Luzia Porto Mapelli. Ela ressalta que, antes da campanha, a coleta de sangue seguia a passos lentos. “A procura era de seis a 12 doadores por dia. Depois da campanha, as coisas melhoraram significamente. Só na sexta-feira, atendemos 33 pessoas”, comemora a enfermeira.

A falta de sangue no estoque também contribuiu para o cancelamento de cirurgias em Tubarão. A unidade de Tubarão conta com apoio de empresas que aderiram à campanha e levam funcionários para doar sangue. A Clínica Pró-Vida e o plano de saúde Unimed, agendaram a participação de mais de 20 colaboradores para esta semana.

Urgência
Segundo dados do Ministério da Saúde, o aumento de 30% no transplante de órgãos e o crescimento da população estão entre os fatores que fazem o país precisar cada vez mais de sangue para transfusão. São coletadas, por ano, 3,5 milhões de bolsas de sangue no Brasil, quando o ideal seria 5,7 milhões. No Brasil, 1,9% da população é doadora de sangue.