Tubarão

Na época das campanhas para doação de órgãos, o que não faltam são textos com um único intuito: sensibilizar os leitores a ser um doador. É um clichê, mas não existe outro meio para conscientizar as pessoas da importância deste ato que não seja avisar para o mundo: “Ei, eu sou doador de órgãos”.

Hoje, a falta de esclarecimento dos familiares torna-se uma das maiores barreiras ao profissional de saúde destacado para fazer a abordagem. Um trabalho complicado. O familiar prefere que o seu ente querido não que ele saia do hospital ‘em pedaços’.

“A maior resistência está na compreensão do conceito da morte. Quando não há atividade cerebral, a pessoa está clinicamente falecida. Contudo, como há batimento cardíaco, fica o receio. E este conceito que deve ser melhor trabalhado nas campanhas”, destaca a enfermeira Samira Jeremias, da comissão intra-hospitalar de doação de órgãos e tecidos para transplante do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).

Apesar de toda a dificuldade, Santa Catarina é líder quando o assunto é doação de órgãos. No estado, 1.849 pessoas ainda aguardam por um transplante. São 70 mil no país. Em Tubarão, 39 procedimentos foram feitos no HNSC entre janeiro de 2009 e este mês.

Deste total, 35 foram captação de córneas e três de múltiplos órgãos (rim, pulmão, fígado e coração). O HNSC é credenciado apenas para a retirada de córneas. Quando é possível utilizar outros órgãos, uma equipe da capital é deslocada. Atualmente, a instituição busca o aval do Ministério da Saúde para efetuar a captação múltipla e também a cirurgia de transplante.

5.373
transplantes de órgãos foram realizados este ano no Brasil. O dobro do que o observado no comparativo com 1998, quando foram feitos apenas 2.362 procedimentos. Para ser um doador, não é preciso fazer nada, apenas avisar a família.