Zahyra Mattar
Tubarão

Doar órgãos não é fácil. Falar sobre o assunto também não. Afinal, o transplante de órgãos ocorre porque alguém muito especial deixou esta vida. Mas é através desde ato de amor incondicional dos familiares que outras pessoas tão especiais, quanto aquela que se foi, podem ter a chance de ficar mais algum tempo entre os seus. Santa Catarina está no topo da lista quando o assunto é doação de órgãos.

No ano passado, por exemplo, enquanto o estado atingia a marca de 14,7 doadores de órgãos e tecidos por milhão de população (pmp), o índice nacional estava em 5,4 doadores pmp. Foi o terceiro ano consecutivo de queda nas doações. O aumento foi expressivo quando os números são comparados com 2006, quando Santa Catarina fechou o ano com 12,8 pmp. Os dados deste ano ainda não foram computados, mas desde 2000 quase quatro mil pessoas já receberam órgãos e tecidos através de transplantes no estado.

O primeiro transplante de órgãos de Santa Catarina foi realizado em 1978, apesar da regulamentação do transplante ser de 1997. Tubarão participa destes bons índices desde 2004, quando o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) foi habilitado para a captação de órgãos. A exemplo de outras instituições hospitalares do estado, o HNSC também está credenciado para captar qualquer órgãos e também ossos.

Captação é essencial para os transplantes
O trabalho de captação de órgãos é desenvolvido por uma equipe multiprofissional, formada por enfermeiras, psicóloga e assistente social. Este momento é considerado fundamental, mas exige ‘tato’ dos profissionais, em especial durante a abordagem da família.

“Não é tão simples como as pessoas imaginam. Afinal, são o filho, o marido, a esposa daquela pessoa morreu. Fazer a abordagem e perguntar se a família tem interesse na doação dos órgãos é extremamente delicado. Mas aqui temos bons resultados, apesar da resistência das pessoas quanto ao processo”, avalia a enfermeira Priscila Redivo, integrante da equipe de captação no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão.

O HNSC não está habilitado para efetuar o transplante propriamente dito, apenas a captação do órgão. Assim que um possível doador é detectado, a SC Transplantes é acionada. Se não há ninguém no estado capaz de receber o órgão, ele é enviado para outras localidades do país. “É tudo muito organizado e transparente. Ser o primeiro da lista de espera não significa que será o próximo a receber o órgão”, explica a enfermeira.

Tudo dependerá de que órgão a pessoa precisa e quais estão disponíveis naquele momento. O que qualificará o receptor é a compatibilidade. Quando há duas pessoas compatíveis na lista de espera, recebe aquela que está mais debilitada. “Muitas vezes, o transplante de órgãos é a única chance, a última, que a pessoa tem de sobreviver. Pode parecer difícil falar sobre o assunto, mas as famílias devem encarar isto como algo natural. É necessário maior conscientização”, acredita Priscila.

Doação de órgãos
• Em geral, os doadores são pacientes com morte encefálica em tratamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A morte cerebral indica que, em poucas horas, o coração vai parar de bater e, caso a família do paciente autorize, a retirada dos órgãos é feita enquanto ainda há circulação sanguínea. Também é possível retirar órgãos, neste caso as córneas, de doadores já falecidos. Apenas pessoas com doenças infecto-contagiosas não podem doar.

• Para doar órgãos não é necessário registrar nenhum documento. A pessoa deve expressar em vida o desejo de doar algum órgão. Ainda assim, conforme a legislação brasileira, a doação somente ocorre com a autorização da família.

• Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da secretaria de saúde de cada estado e controlada pelo Ministério Público.

• No Brasil, 60 mil pessoas aguardam na lista de espera por uma doação de órgãos. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de órgãos (Abto), o país realiza cerca de 17 mil transplantes por ano e é considerado modelo em número de transplantes realizados. Porém, o número de doações é baixo, cinco doadores por milhão de população (pmp). Este número representa menos de 25% da lista de espera. O primeiro transplante de órgãos no estado foi realizado em 1978, apesar da regulamentação do transplante ser de 1997.

• A SC Transplantes atende pelo 0800-6437474.