Wagner da Silva
Braço do Norte

Os fatores que causam acidentes no trânsito são vários. Os resultados de uma tragédia, porém, são dois. Um é bom: você conscientiza-se e passa a valorizar sua vida e a do próximo. O outro é trágico: sua família chorará sua morte.
No Vale do Braço do Norte, mesmo com histórias e relatos de pessoas que perderam amigos e parentes em acidentes de trânsito, ainda há muitos motoristas que não se importam com o que pode ocorrer. Infringem a lei, dirigem sob o efeito de álcool, andam em alta velocidade e sem equipamentos de segurança.

Vítima de um acidente grave, o jovem braçonortense Marcelo da Silva Lessa, 27 anos, morador do bairro Rio Bonito, jamais esquecerá o dia 6 de agosto de 2006. Ele havia participado de uma festa de ‘esquenta’, no fim da noite do dia 5, em São Ludgero. Após ingerir uma grande quantidade de bebida alcoólica, resolveu retornar para casa.
Por volta das 5h20min, ele seguia solitário em direção a Braço do Norte, quando, em uma curva, próximo à empresa Áurea Alimentos, perdeu o controle do carro. Marcelo estava a 170 quilômetros por hora quando capotou e ficou gravemente ferido. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros de Braço do Norte e encaminhado ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão.

A consciência após momentos entre a vida e a morte

Após sofrer um grave acidente em 2006, Marcelo da Silva Lessa, 27 anos, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros de Braço do Norte e levado para o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão. Ele ficou 15 dias na UTI, entre a vida e a morte, e outros 14 em recuperação. “Não lembro de nada. A única parte atingida do meu corpo foi a cabeça. Tenho consciência que estou vivo, hoje, por milagre. Os próprios médicos disseram aos meus pais que teve a ‘mão divina’. Não conseguiram encontrar explicação científica para a minha recuperação”, emociona-se Marcelo.

Após quase um mês no hospital, o jovem teve alta e continuou o tratamento em casa. Foram mais seis meses para uma recuperação completa. Apesar do trauma grave no cérebro, ele não ficou com nenhuma sequela. Os pais de Marcelo, Custódia da Silva Lessa, 56 anos, e Celso Antônio Lessa, 65, emocionam-se quando lembram do que passaram ao ver o filho lutar pela vida na UTI do hospital. “Pela graça de Deus, nosso filho está conosco hoje. Não temos mais nada a pedir. Agora é só agradecer”, afirma a mãe.

Toda esta fé tem uma explicação. As pessoas que atenderam Marcelo contaram a ele que encontram uma imagem da Santa Paulina ao lado do seu rosto, no local do acidente. “Sempre fui devoto de Santa Paulina. Levava uma imagem dela em minha carteira. As pessoas afirmam que esta imagem foi encontrada ao lado de minha cabeça após o acidente”, detalha ele, com fé totalmente renovada.
Agora bem recuperado, Marcelo leva uma vida normal, mas com uma diferença: “Hoje vejo as coisas mais profundamente. Por mais simples que sejam, têm um significado magnífico, uma beleza indescritível. Hoje valorizo até mesmo as pequenas coisas do cotidiano. É maravilhoso estar aqui para vivê-las. Agradeço, todos os dias, a Deus e todos os meus verdadeiros amigos, que nunca desistiram de mim”, emociona-se.

“Eu bebia eachava que
controlaria tudo e todos”

“Não era alcoólatra. Fazia o que vários jovens fazem. Eu bebia e acreditava que tinha controle de tudo, que estava bem, que era ‘o cara’. Estava totalmente errado. Hoje, aprendi a ter limites”. Com esta declaração, o braçonortense Marcelo da Silva Lessa, 27 anos, faz um alerta aos jovens para que não caiam na ilusão do álcool: “Não existe essa de beber o quanto quiser e sair por aí ao volante”, diz.
O jovem avalia que é necessário maior reflexão dos jovens quanto aos seus atos, especialmente quando isso pode colocar a vida de terceiros em perigo.

“Digo isso com experiência. Eu andava em alta velocidade e bebia o quanto achava que aguentaria. Este não é o caminho. Hoje, bebo duas cervejas e deu. Sei que este é o meu limite. Se tomar mais, tenho consciência que colocarei minha vida ou a de outras pessoas em risco. Os jovens não devem se deixar levar pela conversa de falsos amigos, de que só mais uma (cerveja) não trará problemas. Poderá trazer sim”, ensina.

O rapaz alerta ainda para um costume equivocado entre os grupos mais jovens: as festas de ‘esquentas’. “É comum um grupo de amigos reunir-se para beber antes de ir para uma festa. O problema é que abusam e pegam a estrada alcoolizados. Não sou contra beber. Também não quero ter fama de certinho ou santo. Mas, aprendi do pior modo possível que temos que saber o nosso limite. A vida é maravilhosa e não vale a pena jogar tudo fora por um copo a mais de bebida. Excesso de álcool e alta velocidade não combinam. Sou prova disto e estou feliz por ainda estar aqui com minha família”, pontua Marcelo.