Brasília (DF)

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou como criminoso o vazamento do dossiê com informações dos gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ex-ministros da gestão tucana. Ela admitiu ainda que o Planalto suspeita da possibilidade de os computadores da Casa Civil terem sofrido uma invasão. “Quem é que colocou, que pegou, que chupou elementos do nosso banco de dados e manipulou? Foi feito aqui dentro? Nós vamos investigar isto. O crime está em pegar e vazar, mas não porque ali tem alguma coisa estarrecedora”, brandou Dilma.

Ela anunciou ainda duas medidas: a audoria dos computadores usados na Casa Civil e uma avaliação sobre a necessidade de colocar a Polícia Federal para investigar o vazamento. “Verei com o ministro da justiça (Tarso Genro) a questão. Vou reiterar que o crime reside no vazamento. Esse governo não vazou, não difundiu, não publicou informações confidenciais. Nem tampouco essas informações que não são nada confidenciais”, afirmou.

Dilma disse ainda que o governo não teria nenhum interesse em vazar essas informações, pois parte delas não seriam confidenciais. “Elas (as informações) não são confidenciais porque nasceram não confidenciais. As informações estariam todas no Portal da Transparência. Vamos chantagear com o que, com o público e notório?”, questionou ela.

A ministra suspeita ainda que parece haver uma “tentativa de dolo”. “Teve senador da oposição que teve acesso. Foi insinuado que havia conhecimento de um deputado da situação. Este até agora não apareceu. Queremos uma avaliação bem clara de tudo o que tem nos computadores que estavam sendo usados no processo, seja no nosso período (do governo Lula) seja no período anterior (da gestão FHC)”.

Sem citar os partidos de oposição, Dilma insinuou que há adversários do governo por trás desse vazamento. “A quem interessa forjar falsos crimes? Aos incomodados com a situação positiva do país, com o aumento da distribuição de renda. Tem uma direção certa. Endereçada a mim. Tem uma tentativa de atribuir à Casa Civil responsabilidade. Pelo o quê? Por um suposto dossiê”, suspeita.