Priscila Loch
Tubarão

Muitos negam, outros preferem fazer vista grossa. Há também os otimistas, que avaliam o problema como sem gravidade. Realmente, é preciso coragem para ver o que está ‘na cara’. É fato a poluição do Rio Tubarão. Na visão do leigos, algo sem tanta importância… Já para quem entende do assunto…

Não tem como lembrar o Dia Mundial do Meio Ambiente sem colocar os problemas da bacia hidrográfica em primeiro plano. Este sábado deveria ser um dia apenas de comemorações. Mas não. Afinal, o alerta está ligado há muito tempo!

“A situação é realmente crítica”, lamenta Francisco Beltrame, secretário executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar. E ele não fala ‘da boca pra fora’. Baseia-se em um estudo, intitulado A morte do rio, realizado dois anos atrás.

Por conta própria, Beltrame decidiu investigar. Analisou a qualidade da água em 21 trechos. E ficou assustado. Vinte deles são enquadrados na Classe 2* pelo Conselho Nacional do Meio Ambieente (Conama), e um à Classe especial. Contudo, encontrou apenas um trecho de Classe 2, outro de Classe 3 a 4, quatro de Classe 4**, e os demais nem se enquadravam sequer na Classe 4.

A intenção agora é realizar um novo estudo, através do comitê, para atualizar as informações. “A realidade está aí, não dá para negar. É preciso tomar alguma atitude”, alerta Beltrame.

* Na Classe 2, a água é indicada para:
• Abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
• Proteção das comunidades aquáticas;
• Recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho;
• Irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer;
• Aquicultura e atividade de pesca, etc.

** Na Classe 4, a água é indicada para:
• Navegação;
• Harmonia paisagística.

O relatório
A forte poluição das águas da região é relatada no estudo realizado por Francisco Beltrame. Ele cita:

• A situação do saneamento básico rudimentar. Em função disso, grandes volumes de esgoto, insuficientemente ou não tratado, são diretamente lançados nas águas superficiais e no solo e, juntamente, os ingredientes químicos contidos neles. Assim, por exemplo, despejam em Lauro Müller 17%, em Anitápolis 77%, em Braço do Norte 16% e em Urussanga 12%da população seus esgotos sem qualquer tratamento a céu aberto.
• As enormes quantidades de dejetos animais, sais minerais de adubos e pesticidas, principalmente da orizicultura que chegam às águas.
• A mineração e o beneficiamento de carvão, que provocam a forte acidificação das águas e, em consequência disso, são dissolvidos os metais pesados e os sulfatos em uma magnitude que apresenta uma ameaça séria à saúde humana.