A Organização das Nações Unidas (ONU), criou o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Data definida para alertar a sociedade e governantes sobre a importância de informar sobre o transtorno de neurodesenvolvimento, contribuindo para derrubar preconceitos e levar esclarecimentos à população.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o autismo, nomeado atualmente como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno de desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritivos.

“Entendemos que aquilo que nos faz humanos é o nosso jeito próprio, a invenção de cada um para juntar corpo com linguagem e imagem. A Psicanálise nos indica que para os autistas, corpo, linguagem, a fala e imagem, o olhar, não estão devidamente articulados, psiquicamente. Sendo assim, os afetos tornam-se experiências muito difíceis de serem assimiladas. Daí suas dificuldades em empatia, dificuldades com o imprevisível nas relações sociais, que os remete à solidão autística”, explica a psicóloga e psicopedagoga do Complexo Médico Provida, em Tubarão, Sandra Regina Cruz (CRP-12/09443 /PSC-176/2002).

A especialista destaca que, os estudos sobre a característica da imutabilidade, refere-se a, uma certa necessidade apresentada por alguns TEA de viverem em um mundo estático e sem alterações ambientais ou na sequência das atividades a serem realizadas.

“Citando alguns estudos, ressalta-se a imutabilidade são tentativas de colocar em ordem o mundo que se apresenta a eles como ameaçador e de lidar com situações que causam angústia e que podem gerar crises. Por isso, a insistência na manutenção de um ambiente sem alterações, mesmo aquelas aparentemente pequenas”, destaca Sandra.

A psicóloga e psicopedagoga ressalta ainda que a partir do modo peculiar do autista de estar no mundo, ele lança desafios à prática educacional, aos familiares e àqueles que se dedicam a escutá-los.

Na teoria psicanalítica, o tratamento leva em conta a singular forma de agir de cada sujeito com TEA. Quer dizer que, um autista não funciona como outro autista. O que fazem as diferentes disciplinas (terapias), cada qual de maneira e de perspectivas diferentes?

“Recebem as crianças autistas ensinando-lhes condutas, conteúdos, facilitando o uso da voz, do olhar, da função alimentícia e do controle dos esfíncteres. Auxiliam em todas as questões fundamentais para o intercâmbio com os outros, buscando e inventando com eles os recursos para suportar a angústia”, destaca Sandra citando o livro: Diários de Bordo: autismo, educação e Psicanálise em interface.

No contexto escolar, as questões legais garantem a inclusão e adaptações curriculares das crianças com TEA. Cabe ao profissional com a função de mediador educacional, ser instigado na teoria e na prática e prover a inclusão do aluno, sempre observando sua singularidade e potencialidade.

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Fonte: Próvida