Vera Regina conta com o auxílio do adesivo “Niquitin” para largar de vez o cigarro.
Vera Regina conta com o auxílio do adesivo “Niquitin” para largar de vez o cigarro.

Carolina Carradore
Tubarão

A assistente social Vera Regina Rodrigues, 54 anos, tomou uma atitude importantíssima em sua vida: há dois meses, largou o cigarro. Claro que abandonar um vício que a acompanha por mais de 40 anos não foi tão fácil assim. Vera é uma das integrantes do Programa de Combate ao Fumo desenvolvido há um ano pela secretaria de saúde da prefeitura de Tubarão.

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado ontem, a secretaria promove hoje diversas ações à comunidade, na Policlínica. Uma mensuração de monóxido de carbono pulmonar ficará à disposição da população. O aparelho mostra o índice de fumaça no corpo do fumante ativo e do fumante passivo. Haverá também distribuição de panfletos explicativos e um dentista passará informações sobre câncer e outras doenças dentárias causadas pelo cigarro.

“Será um momento para reflexão e para que todos entendam a necessidade de não usar substâncias fumígeras. Os efeitos nocivos do fumo à saúde já são amplamente conhecidos e queremos neste evento chamar ainda mais a atenção”, adianta o secretário de saúde, Roger Augusto Vieira e Silva.

Como funciona
O Programa de Combate ao Fumo funciona há um ano em Tubarão. Neste período, a coordenadora, Rosalva Pinto Galassi, estima que 46 pessoas deixaram de fumar definitivamente. Cerca de 70 pacientes participaram. Como uma espécie de terapia, o programa inicia com quatro sessões semanais. Depois, as reuniões passam a ser quinzenais e mensais.

Todos recebem apoio de nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta. Por meio do Ministério Público, o tratamento também compreende o uso de adesivos de nicotina e de outras medicações. Quem estiver interessado em participar pode cadastrar-se na secretaria de saúde. A próxima turma está marcada para o início do próximo ano.

Pesquisa
A secretaria de saúde da prefeitura quer saber quantas pessoas fumam em Tubarão. As agentes comunitárias iniciaram uma pesquisa nos bairros. O levantamento deve ser finalizado em alguns meses.

“Tenho uma nova vida”

Depois de 40 anos como fumante, a assistente social Vera Regina Rodrigues, 54 anos, conseguiu largar o cigarro há dois meses. E já sente consideravelmente uma mudança para melhor. “Já respiro melhor, não sinto cheiro nas mãos e sinto mais segurança em abraçar as pessoas, pois não tenho mais aquele odor característico. Minha vida melhorou 100%”, comemora.

O cigarro foi apresentado para Vera aos 14 anos, quando ainda dividia “tragadas” com as amigas da escola. Até os 40 anos, ainda escondia o hábito dos pais. Vera tem três filhos e, mesmo na gravidez, não deixou de fumar. Antes de passar a frequentar o Programa de Combate ao Fumo, fumava cerca de dez cigarros por dia.

A diminuição foi gradativa até que hoje não coloca mais nenhum cigarro na boca. Um dos maiores aliados de Vera foi o adesivo “Niquitin”, distribuído para os integrantes do programa pelo Ministério da Saúde. “O adesivo é trocado a cada 24 horas e tem me ajudado a controlar a vontade de fumar. Hoje, tenho outra vida e cigarro nunca mais”, afirma, convicta.

O tabagismo está relacionado a…

…25% das mortes causadas por doença coronariana – angina e infarto do miocárdio;
… 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;
… 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;
… 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;
… 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);
… 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);
… 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral).