Sozinha e trabalhando como doméstica, Dulcemar João Antônio criou seu único filho, que segue seu caminho de esforço e dedicação.

Willian Reis
Laguna

Cerca de 1,6 mil quilômetros de distância separam Dulcemar João Antônio, em Laguna, do seu filho Edevaldo João Meleu. Há quatro anos, por motivos profissionais, ele teve de deixar Santa Catarina e se mudar para Rio Verde, em Goiás. É como se, tempos depois, fosse a vez de o filho repetir a história de esforço e superação escrita, anos antes, pela própria mãe.

Dulcemar, que nasceu em Imbituba, está com 77 anos. Quando tinha apenas 7, mudou-se com a família para o bairro de Barbacena, em Laguna – à época uma região afastada, com quase nenhuma infraestrutura à disposição dos moradores: não havia água nem energia elétrica, menos ainda transporte público. “Tinha só uma igreja pequeninha”, recorda-se.

Em meio às dificuldades, a mãe de Dulcemar conseguia algum dinheiro trabalhando como lavadeira, enquanto as filhas iam para o centro da cidade reforçar a renda da família como empregadas domésticas. Até que, aos 12, Dulcemar foi tentar a sorte na cidade grande. Com uma amiga, mudou-se para Porto Alegre e lá ganhou a vida também como doméstica. Em uma das duas casas em que trabalhou, ficou longos 20 anos, tão integrada à família que em janeiro de 1971 embarcou com eles para uma viagem de sete meses a Los Angeles, nos Estados Unidos. O patrão era comandante da então Companhia aérea Varig.

Foi também em Porto Alegre que Dulcemar conheceu um gaúcho de Dom Pedrito que se tornaria o pai de seu único filho. Quando Edevaldo tinha um 1 de idade, o casal se separou, e Dulcemar assumiu a responsabilidade de cuidar do menino sozinha. Continuou no trabalho, e ainda com o apoio dos patrões, que permitiam que a criança a acompanhasse enquanto ela cumpria suas tarefas.

Edevaldo tinha 9 anos quando mãe e filho deixaram a capital do Rio Grande do Sul para trás e vieram para Laguna. Na Cidade Juliana, Dulcemar é dona Maza, uma mãe que mira o passado e se orgulha da história que construiu.

A cada seis meses, Edevaldo visita a mãe em Laguna
Desde pequeno, o filho Edevaldo já se dedicava ao trabalho. Vendeu picolé, foi empacotador no mercado do bairro e, quando estava para completar 18, anunciou que iria para Florianópolis em busca de melhores oportunidades. Trabalhava em supermercado e, à noite, seguia nos estudos.
Formou-se em administração e foi contratado por uma rede de supermercados de Rio Verde, em Goiás. É casado, tem dois filhos, aos domingos – sem falta – telefona para a mãe e a cada seis meses vem visitá-la em Laguna. O dia em que Edevaldo nasceu, aliás, deu nome ao time de futebol da família: 26 de julho.
Agora, Dulcemar conta dias e horas para ter o filho por perto. O tão aguardado encontro será daqui a dois meses. “Não é fácil ter um filho só e que mora longe. Edevaldo é um exemplo. Não vejo a hora de ele chegar”, diz ela, emocionada.

Comemoração nasceu nos Estados Unidos
A data começou a ser estabelecida em 1850 nos EUA, quando uma mulher chamada Ann Reeves Jarvis fundou clubes de trabalho que funcionavam nos chamados “Dia das mães”. A ideia era que as mulheres trabalhassem para melhorar condições sanitárias e diminuíssem a mortalidade infantil. Mas foi sua filha, Anna Jarvis, que definiu a data como ela é hoje.
A morte de sua mãe em 1905, inspirou Anna a organizar o “Dias das Mães” em homenagem a elas. Quando lojas começaram a se aproveitar, ela passou a organizar boicotes e protestos, para devolver à data o seu propósito original.
No Brasil, o Dia das Mães foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre. Mas foi em 1932, pelo governo de Getúlio Vargas, que o Dia das Mães passou a ser celebrado conforme o modelo americano, no segundo domingo de maio.