Brasília (DF)

Um estudo que mostra a redução da desigualdade no país foi apresentado ontem, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo os dados, a renda da parcela mais pobre da população cresceu 22% nos últimos cinco anos, enquanto a renda dos mais ricos cresceu 4,9%.

O presidente do órgão, Márcio Pochmann, avalia que os seqüentes reajustes do salário mínimo acima da inflação e os programas de transferência de renda tiveram impacto fundamental na redução da desigualdade.

O estudo leva em conta apenas as seis principais regiões metropolitanas brasileiras (Recife, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro). Nessas regiões, a renda dos mais ricos chega a ser 23,5 maior que a dos mais pobres. Mas essa diferença já chegou a ser de 27,3 em 2003.

“A base é a pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em seis regiões metropolitanas, que representam 37,1% do PIB (Produto Interno Bruto) e 24,5% da população residente”, explica o presidente do Ipea. Para ele, a pesquisa parcial antecipa o que ocorre em outras regiões do Brasil. “É uma boa amostra do que está acontecendo no país”, analisa.

O levantamento mostra a redução do índice de Gini. Esse índice, que mede a desigualdade de um país, varia de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, maior desigualdade; quando mais perto de zero, menor desigualdade. Em 2002, o índice era de 0,53 ponto. No primeiro trimestre deste ano, o índice já havia recuado para 0,50 ponto.

Apesar de levar em conta apenas algumas regiões metropolitanas do país, essa é a melhor avaliação desde o início do levantamento, em 1960, quando o índice também ficou em 0,50. “É a primeira vez que vemos uma redução do índice de Gini mesmo com o crescimento econômico. Apesar da tendência de redução da desigualdade, ainda estamos no grupo de países em que o índice ficou acima de 0,45, uma diferença primitiva”, afirmou.