Zahyra Mattar
Tubarão

 
Os funcionários dos Correios abrirão mão de parte do aumento linear que pedia. Mesmo assim, a reunião de ontem, entre os representantes da empresa e do sindicato, terminou sem acordo.
 
Os Correios rejeitaram a contraproposta apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect): aumento linear de R$ 200,00, reposição da inflação de 7,16% e o aumento do piso salarial de R$ 807,00 para R$ 1.635,00. 
 
Em contrapartida, o desconto salarial referente aos 15 de paralisação, completados hoje, não foi aceito pelos trabalhadores. “Fomos na intenção de melhorar a proposta financeira, mas descontar dias parados está fora da pauta”, avisa o secretário geral do sindicato no estado, Hélio Samuel de Medeiros.
 
A empresa manteve a proposta apresentada antes do início da greve: reajuste salarial de 6,87%, aumento real de R$ 50,00 e abono de R$ 800. “Eles não querem negociar além disso enquanto não retornarmos ao trabalho. Mas sabemos que, se voltarmos, não teremos qualquer chance de conseguir nem metade do que pedimos”, desabafa Hélio.
Segundo os Correios, em Santa Catarina não há carga retida ou parada, mas a empresa admite que correspondências serão entregues com atraso. Já o Sintect-SC afirma que apenas as correspondências de urgência são entregues.
 
Em Tubarão, conforme o sindicato, existem pelo menos 150 mil correspondências paradas no centro de distribuição. Somente sedex e cartas registradas são entregues. Além de Tubarão, na região, funcionários da agência de Laguna também aderiram ao movimento.
 
Bancários
Hoje, os bancários filiados ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR) decidirão se aderem à paralisação nacional, deflagrada ontem, ou seguem até o fim da semana em estado de greve. A assembleia será às 18h30min. A Fenaban apresentou um índice de reajuste de 8%. O percentual é 0,6% superior ao INPC (7,4%).
“Não acredito que haverá nova rodada de negociação até a próxima semana”, analisa o presidente do SEEBTR, Armando Machado Filho. Este ano, os trabalhadores pleiteiam a participação nos lucros e resultados e reajuste de 5% mais o índice do INPC (com isso, chega a um total de 12,8%).
 
Trabalhadores da previdência realizam protestos
Os servidores da Previdência Social de Tubarão, Braço do Norte, Laguna e Orleans, assim como em todo o país, preparam uma série de protestos. O primeiro ocorreu ontem. Todos foram trabalhar vestidos de preto. A ação visa chamar a atenção sobre as reclamações e principais reivindicações da categoria.
 
Uma reunião com representantes dos Ministérios da Previdência Social e do Planejamento está marcada para esta semana. Entre os pedidos, está a volta dos dois turnos de seis horas (hoje é um turno de 8 horas), a incorporação das gratificações no salário base (atualmente em R$ 892,00) e a contratação imediata de pessoal.
 
Hoje, em Tubarão, existem apenas três médicos peritos para atender toda a região. As consultas são marcadas para daqui a dois ou três meses. Um dos profissionais já tem tempo para se aposentar, assim como outros 18 dos 35 servidores. 
 
“Muitos que ainda não requereram a aposentadoria correm o risco de perder 40% do salário. Além disso, se eles saírem, não teremos qualquer condição de manter a agência aberta”, revela diretor da executiva estadual do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal (Sindprevs/SC), Índio Aymore Araújo.
 
Os trabalhadores voltarão a realizar o protesto silencioso na próxima terça-feira e seguiram com esta iniciativa até que o Ministério da Previdência Social aceite ampliar as negociações para melhorar as condições de trabalho e salário para a classe.