Na regional de Tubarão, não há estoque. MS cortou o repasse das doses no país. Medicação protege contra difteria, tétano, coqueluche, influenza B e hepatite B.

Treze de Maio

A jovem Talita Dela Vedova Salvan, de Treze de Maio, teve o segundo filho recentemente. Helena Dela Vedova Salvan completa 2 meses neste sábado, e a mãe já se prepara para levá-la à unidade de saúde para cumprir o calendário básico de vacinas. A bebê está apta para receber a vacina pentavalente, indicada para imunização ativa de crianças a partir de 2 meses de idade contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e doenças causadas por Haemophilus influenza tipo B. No entanto, uma notícia deixa Talita apreensiva: Santa Catarina está sem estoque de vacina pentavalente.

O problema não ocorre somente no Estado, mas em todo o país. Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), desde abril o Ministério da Saúde não encaminha doses para os catarinenses. “A vacina é muito importante para a proteção da criança e espero que retorne logo para que todos os bebês recebam a imunização”, aguarda a moradora de Treze de Maio.

O Ministério da Saúde não respondeu se enfrenta problemas de envio da imunização e, em nota, afirmou que mandou neste ano 43,8 mil vacinas para Santa Catarina e que os Estados são responsáveis pela distribuição aos municípios. Porém, segundo a gerente de Doenças Imunopreveníveis e Imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive-SC), Vanessa Vieira da Silva, o Estado precisa de 30 mil doses por mês para suprir a demanda.

 
Em Tubarão, doses acabaram
Na Secretaria Regional de Saúde de Tubarão, o estoque também está esgotado. De acordo com o gerente regional Vicente Corrêa Costa, as últimas doses foram distribuídas entre os municípios. “Há dois meses o Estado não recebe o repasse do Ministério da Saúde. Ainda não temos uma posição de retorno, mas vamos monitorar semanalmente para garantir a imunização dos bebês”, afirma. Nas unidades de imunização do município de Tubarão, o estoque foi esgotado na última semana.
A coordenadora de imunização da secretaria municipal de saúde de Imbituba, Joana Dias Mello, revela que a situação na regional de saúde de Laguna é idêntica às demais do Estado. “Estamos sem a vacina há 15 dias e a expectativa é de termos condições de voltar a vacinar as nossas crianças, somente a partir de julho, mas isso também depende do Ministério da Saúde voltar a remeter as doses para os estados”, analisa.

 

Previsão é regularizar situação no próximo mês
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive) informou, em nota, que a vacina pentavalente está em situação de desabastecimento e a previsão é que a distribuição seja regularizada até julho. Segundo o órgão, o Estado não recebe doses adequadas da vacina pentavalente desde o início do ano. De acordo com o ministério, até maio deste ano foram distribuídas 73,8 mil doses da vacina para Santa Catarina. Foram entregues 60.650 doses, o que equivale a um terço do que o Estado precisa só para o primeiro semestre.
Cerca de seis milhões de doses chegaram ao país no segundo semestre de 2016, mas aguardam liberação da Anvisa porque “sofreram excursão de temperatura”. Essas vacinas precisam ser armazenadas em uma temperatura específica, e variações podem fazer a vacina perder o efeito. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o estoque atual de vacinas, que são importadas, está passando por trâmites alfandegários.