Diversas situações podem afligir crianças e adolescentes, como bullying, abuso sexual e depressão

Jailson Vieira
Tubarão

São mais de 200 milhões de habitantes no Brasil e desses, quase 10% já foram diagnosticados com depressão. Até os próximos três anos esta será a doença mais incapacitante do mundo. Nos últimos dias, um dos assuntos que mais tem gerado preocupação no país é o jogo virtual da Baleia-Azul, na região Sul alguns casos foram relatados.

Este passatempo é disputado nas redes sociais e propõe ao jogador 50 desafios perigosos que vai desde a automutilação até o suicídio. Conforme a psicóloga cognitiva comportamental, de Laguna, Aparecida da Silva, diversas situações podem afligir crianças e adolescentes, como bullying, abuso sexual e depressão. Uma das dificuldades mais comuns entre os adolescentes é conseguir entender as mudanças que acontecem nesta fase da vida.

“É muito comum que algumas dificuldades acabem por se refletir em suas emoções. A sensação de que ninguém é capaz de entender os seus sentimentos ou pensamentos pode levar esses jovens a se envolverem e se modelarem a situações onde se sintam respaldados e seguros para tomarem decisões em relação à própria vida”, explica.

Tudo na internet tem se espalhado muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em diversos casos, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. “A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem. Os colégios devem estar cientes da viralização do jogo, começarem a pensar em alternativa para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidar da vida”, constata a profissional.

De acordo com Aparecida, os pais precisam ficar atentos se a criança ou adolescente apresentou alguma mudança brusca de comportamento, pois isso pode ser sinal de que elas estejam sofrendo com algo que não pode lidar. “Os pais também devem demonstrar interesse por sua rotina para entender se o jovem está com problemas, pois os filhos devem se sentir acolhidos e que possam confiar e compartilhar os seus anseios, seja na escola ou na família”, esclarece.