#Pracegover Foto: na imagem há diversas pessoas representando as denominações religiosas e doutrinas
#Pracegover Foto: na imagem há diversas pessoas representando as denominações religiosas e doutrinas

O Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa foi celebrado na última quinta-feira. Passados alguns dias, mas como o assunto é sempre relevante e importante discutir, o Portal Notisul buscou dar voz a líderes de religiões e doutrinas da região. Os representantes explanaram os preceitos que definem cada fé, e buscaram dentro dos ensinamentos de suas religiões a sustentação para defender a coexistência pacífica, desta forma, combatendo o preconceito religioso

A religião, que teria como propósito principal a solidariedade, a união, a paz e o respeito ao próximo, tornou-se motivo de conflitos e intolerâncias. As denúncias de casos relacionados à intolerância religiosa, destinadas à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), pelo Disque 100, aumentaram 41,2% no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Se comparado ao mesmo período de 2018, as denúncias aumentaram 136%, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH).

Integrante de Māe Luana de Xapanā, expõe que a melhor arma contra a intolerância e o preconceito, é a informação, o respeito e o diálogo. “E a minha função como dirigente religiosa é promover a paz e trazer a verdade a todos que estejam dispostos a se despir dos preconceitos. Precisamos entender é que quem faz o mal nāo é a religiāo do negro ou do branco, mas sim o homem. A nossa religião nāo é responsável pelas atitudes de alguns indivíduos. Ela serve para despertar o bem independente da origem, com o papel de religar o homem a Deus. Resgatar o sagrado dentro do indivíduo. A tolerância é uma virtude e não julgar é uma forma de amor. Respeito também é justiça. Creio que são os que têm mentes doentes, mal esclarecidas e mal resolvidas que promovem a intolerância. Somos um país Laico”, assegura.

Adilson de Oya, integrante de uma casa religiosa de Umbanda, em Laguna, destaca que as pessoas devem entender que cada um caminha com o seu entendimento, com a sua fé, força e verdade mediante o respeito. “Esse respeito desaparece quando há uma agressão. Os veículos da comunicação e as redes sociais são ferramentas que devem contribuir para esse entendimento. É estranho que as pessoas estão mais aguçadas a intolerância e apontar ou determinar esse mecanismo, quando era para ser um efeito contrário. Por que a intolerância e por que a religiosa? O principio já vem desde o início bíblico que essa divisória de quem delega o poder, quem fala a verdade e quem está com a verdade. As margens de erros, conservação e poder já são uma esfera de intolerância desde os tempos antigos. Essa vertente tem tido recentemente um pouco mais de caos, a matriz-africana para os umbandistas dadas às deformações das pessoas envolvidas, elas são flexíveis a certas condições de serem abordadas. Temos essa válvula de escape que já começa a atuar como agressão”, observa.

De acordo com o padre Rafel Uliano, do Santuário Sagrado Coração de Jesus, de Gravatal, é preciso incentivar a convivência pacífica entre todas as diferentes religiões e doutrinas, evitando a intolerância religiosa. As questões religiosas sempre foram motivo para as piores guerras e conflitos que a humanidade já presenciou. “Faz-se necessário conhecer a religião do outro e colher aqueles pontos de convergência com o nosso caminho de fé que nos permita dialogar e, quando é possível, trabalhar juntos para construir a paz, para defender as pessoas de qualquer forma de injustiça, para o respeito e o cuidado com a casa comum”, pontua.

Segundo o pároco, é importante que os cristãos, de maneira especial os católicos, se revistam de uma atitude de profunda humildade. É muito fácil que se instaure no coração dos católicos uma atitude de superioridade hegemônica e que assumam um olhar altivo de quem se sente dono da verdade e “tolera” os outros, pelo fato de o número do católico ser o mais expressivo.

Para o cristão é pouco demais “tolerar”, pois Jesus nos manda “amar”, inclusive os inimigos: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam”(Lc 6,27). “Os fiéis de outras Igrejas são irmãos e irmãs no Senhor e os membros de outras religiões são companheiros de caminhada na estrada da vida e da história humana: “somos chamados a respeitar, acolher, dialogar, numa palavra a assumir para com eles a atitude que tudo resume, enaltece e enobrece, a Amar!” , explica.

As igrejas, fazem parte da Religião Cristã (que engloba católicos, luteranos, batistas, etc…). Já as religiões (definidas como um conjunto de crenças e práticas sociais relacionadas com a noção de sagrado) mais conhecidas no mundo são: Cristianismo (31,5%), Islamismo (23,2%), Hinduísmo (15%), Budismo (7,1%), Judaísmo (0,2%) – Fonte: Revista Vision Business (Ed. 4 – Jan / 2021).

Jesus Cristo foi o grande exemplo e modelo de coexistência para seus seguidores

Os números mais recentes do Ministério dos Direitos Humanos em balanço sobre denúncias telefônicas feitas pelo Disque 100 indicam que foram feitas 354 denúncias de discriminação religiosa no Brasil nos 12 meses anteriores a junho de 2019. Dessas denúncias, mais de 65% não possuíam o registro da religião da vítima. Das 121 denúncias restantes, 73 das vítimas eram de religiões de matriz africana, sendo 26 da Umbanda e 18 do Candomblé. Espíritas também aparecem como vítimas de 18 denúncias. Católicos registraram 12 denúncias, e evangélicos, 8.

A história da intolerância religiosa é uma história de séculos. No Império Romano os católicos foram perseguidos. Na Idade Média, católicos perseguiram judeus e pagãos. No Brasil, os portugueses não aceitavam as crenças religiosas dos índios e os catequizaram e no período da escravidão, proibiam os negros de cultuar seus deuses. Esses são apenas alguns exemplos.

Jesus Cristo foi o grande exemplo e modelo de coexistência para seus seguidores, pois conviveu com pessoas de outras religiões de forma pacífica. Para o pastor Carlos Augusto Lopes, antes de definir o que é intolerância religiosa, deve-se compreender o que é liberdade religiosa. Sendo assim, sabe-se que vivemos num mundo plural no sentido religioso. Mesmo o Brasil no seu descobrimento e durante muitos anos se declarou um país catolico, hoje essa realidade singular mudou. Existem varias expressões de fé e religiosidade.

Ele esclarece que é importante definir que liberdade religiosa e aqui pode-se colocar todos os credos, ela também é liberdade de pensamento. “A intolerancia religiosa acontece quando eu não entendo a liberdade de pensamento do outro, a falta de habilidade de respeitar o prospecto credal e a diferença do outro. Descordar, concordar, conversar, discutir e ser um apologeta, faz parte da liberdade de pensamento, da expressão. Todavia isso não pode ser algo que me leve a agredir o outro porque ele pensa diferente de mim ou crer diferente de mim”, detalha

Ter liberdade religiosa não dá o direito de nutrir no tecido da hermeneutica , uma intolerancia religiosa. No Brasil por garantia constitucional, nos temos liberdade de culto, liberdade de crença, liberdade de expressão, liberdade de abrir fisicamento os espaços de culto. Também no Brasil thá a liberdade de não pertencer a nenhum grupo religioso e de ser areligioso. “Isso tudo faz parte do pélago do pensamento religioso no Brasil. Quando se tratamos de intolerancia religiosa e sua praxis, estamos lidando com questões anti-constistucional, e também no campo da respeitabilidade devemos nutrir esse pensamento de respeito, pluralismo e fraternidade”, cita.

Ele enfatiza que a liberdade religiosa é um pelago complexo, porque é necessário viver num mundo plural e não singular e isso nutri no tecido religioso a intolerancia . Isso pode ser em todas as religioes. Todas ja sofreram por intolerancia religiosa que pode ser dividida de leve, grave e gravíssima. “Tem religião que em virtude da intolerancia religiosa passa por perseguição, pode ser aberta e velada, por palavras e discurso de ódio. Os cristão estao sendo perseguidos em varias partes do mundo. O número de cristaos que morrem por causa da fé é algo assustador. No Brasil existe intolerancia de alguns grupos, contra as religioes de matriz africana e outros credos, como também existe para os evangélicos. Isso é um erro grave e falta de respeito e amor “, cita

Segundo o religioso não se pode usar a mão do tacão da intolerancia religiosa, ela traduz a falta de amor ao proximo, a empatia, o respeito e a quebra da Lei divina que se deve amar a Deus e ao proximo, como a quebra da lei constitucional. “Uma coisa é voce discutir ideias, discutir doutrina, concordar, descordar, outra coisa é voce odiar a pessoa que pensa diferente, que tem bandeira diferente e crença diferente. O dialogo dialogico e natural, como também é o dialogo dialetico. Devemos com toda a força dizer não a intolerancia religiosa, devemos celebrar o pluralismo em terras tupiniquim, isso não quer dizer que atraves do meu argumento e conversa eu não possa dizer para o outro que suas convicçoes doutrinarias estão em desalinho. Todavia a cosmovisão do outro não pode ser atropelado pela minha intolerancia religiosa”, constata

O pastor afirma que é sempre bom lembrar que é crime violar o direito da liberdade religiosa, escarnecer do objeto da sua fé na arena publica, impedir, pertubar, fazer vilipendio. O Brasil é um campo fertil para varias expressões religiosas, o país não é singular mais plural, logo, se deve respeitar toda a expressao de culto. “Isso não quer dizer que eu aceito o credo, mas me leva a respeitar o credo do outro. O Brasil é um Estado laico, todavia o povo que habita no Brasil nao são considerados laico, a grande maioria tem a sua religiao, logo o Estado laico deve garantir para os seus cidadões a liberdade e não a intolerancia religiosa. Assim no Artigo 5 esta escrito ‘É inviolável a liberdade de consciencia e de crença, sendo assegurado o livre exercicio dos cultos religiosos e garantida, na forma da Lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias’. Sendo assim, o Brasil é um estado laico mais não ateu, pois ele não pode proibir e nutrir a intolerancia religiosa em seu territorio nacional. Todos os cristãos devem pregar sobre amar o proximo como Jesus Cristo ensinou e nunca nutrir no seu tecido credal a intolerancia religiosa, pois, ela é desumana, é crime e não reflete o que a Biblia principalmente no Novo Testamento nos ensina”, finaliza.

Carlos Augusto Lopes é pastor presidente da Igreja ADI, é teólogo, academico de Ciencia Politica, mestre em teologia , professor de Teologia e pos graduado em Historia Social. Reside em Tubarão SC . Watts 48999323339, instagran @prcarloslopes

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