No Dia do Trabalho, agricultora relembra os desafios da rotina no setor rural. Reformas impactam em mudanças na aposentadoria da classe

Lysiê Santos
Pedras Grandes
O Dia do Trabalho, comemorado anualmente no dia 1° de maio em diversos países, é lembrado como uma data para reflexões e críticas às estruturas socioeconômicas do país, principalmente pela atual conjuntura política e suas reformas em vista, mas também de celebração das conquistas das leis trabalhistas e reajustes da carga horária de e aumentos salariais. A véspera do Dia do Trabalho foi marcada por greves e mobilizações contra as reformas da Previdência e Trabalhista e a Lei da Terceirização. Atualmente, são oito horas diárias em diversos setores.
O trabalhador conquistou avanços nos últimos tempos. Hoje, a maioria da população, principalmente os jovens que estão ingressando no mercado, atuam em escritórios com ar-condicionado, estruturas modernas, computadores, e desfrutam de confortáveis cadeiras. Apesar de ter todos os seus direitos assegurados por leis e de toda a estrutura disponível, muitos ainda reclamam de suas jornadas diárias e se sentem frustrados com seus empregos.
Isso porque não conhecem a realidade de uma das classes mais importantes e que sustenta o Brasil: a rural. Faz tempo que o país é quase que dependente do agronegócio, devendo à agricultura e à pecuária boa parcela de suas divisas externas, graças às condições privilegiadas de solo, clima e pessoas. As mãos que movimentam a enxada são as mesmas que plantam e colhem o desenvolvimento do país. E assim, o retrato do trabalhador rural se modifica, ganha força e é marcado por uma caminhada de desafios e conquistas.

Agricultora relembra dificuldades do trabalho no campo
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Dona Elisia Mazzuco Zanelato, no auge dos seus 99 anos vivencia sua aposentadoria e ainda guarda na memória as lembranças de uma época sem tecnologias e facilidades. A agricultura, natural de Rio Molha, em Orleans, mora há 68 anos em Alto Pedrinhas, em Pedras Grandes. Nascida em 28 de fevereiro de 1918, Elisia começou cedo o trabalho na roça.
Aos 8 anos, já ajudava os pais no cuidado com a lavoura e na manutenção da casa. “Todo o dia, às 5 horas levantava, fazia a polenta, tratava do gado, tirava o leite da vaca e ia para o campo, onde ficávamos até escurecer na lida da terra. Sol a sol, plantávamos tudo para a nossa sobrevivência e vendíamos o leite, o queijo e algumas verduras. Era um tempo difícil”, conta. A agricultora passou a vida na roça. Na época, o acesso ao estudo e à informação era raro. “Fiz só o 1° e 2° ano do primário. Até hoje me lembro do “ponto” que tive que decorar sobre a história do Brasil”, relata.
Mesmo com pouco estudo, Elisia aprendeu a ler e escrever, e até hoje coleciona livros de história. Após o casamento, teve três filhos que também foram criados no meio rural. “Saíamos de madrugada de casa com os pequenos. Na lavoura, esticava um pano e os deixava debaixo de uma árvore enquanto trabalhava na plantação de feijão, arroz e outros produtos”, detalha. Depois de uma vida marcada por dificuldades e trabalho árduo, Elisia se aposentou aos 70 anos, mas ainda permaneceu lutando pelo sustento da família.
Ao analisar as mudanças nas leis trabalhistas, a agricultora reivindica maior valorização do setor rural. “O governo deveria valorizar mais o colono. A maioria dos políticos nunca segurou uma enxada e não tem conhecimento da dura rotina do campo. Estão mudando as leis sem pensar no impacto que essas decisões irão trazer para os trabalhadores. Espero que mudanças ponderadas ocorram!”, reflete a aposentada.

Aposentadoria rural seguirá novas regras da Previdência Social
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A aposentaria rural foi inserida na regra geral da proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo federal. Os agricultores vão contribuir de forma individual com uma alíquota sobre o limite mínimo da base de cálculo para o recebimento do benefício.
A contribuição passa a ser individual e obrigatória. Com a reforma, os trabalhadores rurais terão uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria, com 25 anos de contribuição. Na regra atual, o trabalhador rural pode contribuir, mas a aposentadoria é garantida para quem não contribuiu.
A regra de transição vai atingir trabalhadores rurais que tiverem 50 anos de idade ou mais, se homem, e 45 anos de idade ou mais, se mulher, que poderão aposentar-se com regras diferenciadas. Nesses casos, também deverão cumprir um período adicional de contribuição (pedágio) equivalente a 50% do tempo que faltaria para atingir o número de meses de contribuição exigido.

História do Dia do Trabalho

O Dia do Trabalho, também conhecido como Dia do Trabalhador, é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios e de conscientização.
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio daquele ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições profissionais, entre elas, a redução da jornada de treze para oito horas diárias.
Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Internacional dos Trabalhadores, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.
No Brasil, nas décadas de 1930 e 1940, o presidente Getúlio Vargas passou a utilizar a data para divulgar a criação de leis e benefícios trabalhistas. O caráter de manifestação da data foi deixado de lado, passando assumir um viés comemorativo. Vargas passou a chamar a data de “Dia do Trabalhador”.