A situação dos moradores de rua em Tubarão é cada vez mais preocupante e tem causado uma sensação enorme de insegurança. É gente dormindo em banco de praça, porta de bancos e supermercados, igrejas, postos de gasolina,pontos de ônibus, embaixo de viadutos, próximo a hospitais e semáforos.

O problema é que muitos destes moradores pedem dinheiro no meio das ruas e se não recebem acabam agredindo verbalmente as pessoas. A Polícia Militar muitas vezes é acionada e o que a lei permite é uma abordagem para que oriente estes moradores a não promoverem a desordem pública.

A Gerente da Fundação de Desenvolvimento Social de Tubarão, Kelly Botega Fortunatto Delpizzo, diz que a maioria  destes moradores não têm interesse em sair das ruas por vários motivos. O maior deles e o mais preocupante  segundo Kelly, é o fato de receberem dinheiro fácil de esmolas. As pessoas têm o falso sentimento de que vão ajudar de alguma forma, quando na verdade só atrapalham.

“Eles só estão ali porque as pessoas dão dinheiro. Dar dinheiro é nocivo, é incentivar as pessoas a continuar naquela situação”.

Conforme Regina Célia de Medeiros Miguel, da equipe de abordagem de rua, a Fundação oferece ajuda como passagens por albergue onde é oferecido alimentação e um teto para dormir; encaminhamento à rede de saúde para tratamento de qualquer patologia; para quem não é de Tubarão a Fundação ajuda a pessoa a voltar para casa da família, onde eles estiverem.

“Em alguns casos os moradores recebem até uma casa para morar, com aluguel pago temporariamente para ter tempo de arrumar um trabalho, também com ajuda do governo municipal. Entre outros serviços garantidos ao cidadão conforme a constituição”.

Os moradores recebem todas as oportunidades, mas ficam nas ruas por opção. E nem a polícia nem o governo municipal podem obrigar eles a saírem das ruas. “Alguns até aceitam ajuda do Governo, mas depois de um tempo desistem”, diz Regina.

 


SEMPRE TEM UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Kelly diz que entende que muita gente mora nas ruas por falta de oportunidade de voltar para casa. E a situação se torna uma bola de neve, quando o morador se dá conta é usuário de droga e está cometendo diversos crimes pela cidade.

“A maioria dos moradores de rua de Tubarão é de fora da cidade. Muitos que passaram por aqui conseguimos contato com a família, voltaram para casa e estão reabilitados socialmente ou em algum tipo de tratamento. E os que querem ficar nas ruas têm problemas psiquiátricos ou dependência química, mas têm todas as necessidades básicas atendidas, cabe a eles aceitar ou não”.

Os que souberam aproveitar as oportunidades já conseguem pensar em um futuro. É o caso de uma jovem de 27 anos nascida no Rio Grande do Sul que morava nas ruas de Tubarão e foi resgatada pela equipe da Fundação de Desenvolvimento Social no passado.

Em uma conversa com a mãe da jovem, ela contou que a filha saiu de casa há 7 anos e passou por vários estados até chegar em Tubarão. Nesses anos todos morou nas ruas, passou por todas as dificuldades imagináveis e inimagináveis e dava notícias à família uma vez ou outra.

Não se sabe quanto tempo a jovem ficou na cidade até ser abordada pela equipe da Fundação. Mas hoje ela está perto da família e já pode considerar que vive um recomeço.

“Ela está internada em uma clínica de reabilitação e vem melhorando cada vez mais. É outra pessoa de quando fui buscar em Tubarão. Está interessada em estudar, fazer curso de capacitação oferecido pela clínica, trabalhar na clínica ajudando outras pessoas a vencer como ela está vencendo”, disse a mãe.

A mãe da jovem diz que tem certeza que se as pessoas não dessem esmola à filha  a situação dela seria diferente porque a faria se conscientizar a trabalhar, a aceitar as oportunidades que o governo oferece.

“Dar dinheiro nunca foi correto. A gente sabe que eles não vão usar de forma positiva. Ao invés disso doe alimento, roupas. As pessoas precisam se conscientizar de que eles não vão escolher outro caminho se ficarem recebendo dinheiro”.