Tubarão

O interesse do tubaronense Ricardo Calegari, o Rico Calegari, 36, pela música, começou logo na infância. Ele conta que quando pequeno cantava com o irmão, Rafael Calegari, e para as amigas da mãe. Mesmo sem saber o que queria para o futuro, o garoto já aproveitava o espaço para cantar. “Meus pais falavam que tanto o meu avô paterno quanto o materno, tocavam cavaquinho e acordeom, respectivamente. Quando criança, minha mãe comprou um piano, influenciada pelo pai dela. Crescemos com a música na família”, recorda.

Ricardo é formado em Administração e o irmão, que é sua inspiração artística, estudou Música, em Florianópolis. Segundo o artista, o desejo de sua mãe é que os dois possam compor uma dupla sertaneja. Por dez anos, ele participou do grupo de pagode Jeito Louco. “Mas o destino quis algo diferente. Sinto-me ainda mais feliz e realizado tocando músicas de minha autoria. A nova MPB e músicas românticas, que fazem parte do meu repertório, não tem muita chance no ambiente onde a banda se apresenta. Não diria ao pé da letra que estou em carreira solo. Apenas que tenho pretensões com minhas canções. A banda e o estilo musical fizeram parte de minha formação e carrego comigo. Você pode até sair do pagode, mas o pagode nunca sai de você”, pontua.

O artista conta que desde 2016, aposta na internet como o canal que se conectaria com as pessoas, as quais curtem o estilo musical que ele propõe. “Naquele ano, contribuí com a rede postando alguns covers de todos os estilos, já que a música está bem universalizada. Todas elas em versões criadas e readaptadas. Em 2017, foi um ano bem parecido, no entanto, fiz um laboratório lançando duas canções autorais. Escrever canções significa se expor, abrir-se ao novo e à crítica e, confesso, tinha esse medo. Mas o resultado foi satisfatório. No ano passado, já com esse problema vencido, lancei meu primeiro EP com sete músicas autorais e em parcerias, intitulado ‘Combina Comigo’. Foi gravado em uma casa centenária, em Urussanga”, detalha.

Trabalhos com compositores nacionais são ampliados

Neste ano, Ricardo e o compositor Lucas Veiga, de Minas Gerais, que compõe o duo Anavitoria, fizeram cinco músicas cantadas e com poesia recitada. “A primeira delas foi ‘Tempestuou’, que me ajudou a alavancar. O número de ouvintes mensais só vem crescendo diariamente. Em janeiro, finalmente gravei um DVD ao vivo com oito canções autorais. Talvez o trabalho que eu mais me orgulhe, pois estava rodeado de profissionais dos quais sempre fui admirador, dentre eles meu irmão Rafael Calegari, no contrabaixo elétrico. O DVD será lançado no fim deste mês”, adianta.

À frente do ‘Encontrinho’, Ricardo conta que tem outros dois projetos que estão em fase de produção, mas que ainda não pode falar a respeito. Ele garante que ambos serão diferentes e cheios de surpresas e muita música. Sobre o seu repertório, o cantor destaca que são nas canções autorais que encontra mais identificação com o público. No último fim de semana, ele participou da terceira edição do Festival de Música Autoral, na Arena Multiuso, em Tubarão, e conquistou o primeiro lugar na categoria solo/duo.

“As pessoas vivem aquilo que você escreve. A alegria de compor é justamente essa, a de as pessoas se enxergarem nas suas canções. Incluo clássicos da MPB e também músicas mais recentes da Nova MPB. Tenho feito, junto com alguns amigos, eventos em casas fechadas e com público bem específico. Nomeamos esta ação de ‘Encontrinho’. Neles, tocamos músicas autorais e alguns covers. Tem sido uma ótima experiência, e foi a maneira que encontramos de estarmos nos apresentando, já que este estilo musical não se encaixa bem em baladas e afins. Conto sempre com meus amigos Igor Cougo, Danilo Melo, André Bresiani e tantos outros que ainda estarão presentes nos próximos Encontrinhos”, convida.