Os cães das cuidadoras não permitiam que ninguém entrasse no pátio da casa.
Os cães das cuidadoras não permitiam que ninguém entrasse no pátio da casa.

Cíntia Abreu
Tubarão

A ordem de despejo contra a cuidadora Maria Mendes, e consequentemente de sua amiga Juliana Rodrigues Machado e dos 170 cães, pode ser considerada uma novela, que, após muitos desafios, teve um final feliz.

Desde segunda-feira, o despejo emitido pelo juiz substituto da 1ª Vara Cível, Fernando Machado Carboni, não ocorreu, e as cuidadoras lutaram até o fim para que as obras no terreno doado a elas, no KM 60, dessem os ‘primeiros passos’.
O primeiro capítulo da obra com fatos reais iniciou da manhã de ontem. A tentativa de execução de despejo que foi acompanhada pela imprensa, por solidários, pelo presidente da ONG Movimenta-Cão, Francisco Beltrame, e também por quem torcia para que as cuidadoras retirassem os seus cães o mais depressa possível.

O dia foi apreensivo para Juliana e Maria, que por dois momentos tiveram os seus pertences carregados pelo caminhão disponibilizado pelo proprietário da casa de onde seriam despejadas, pois, neste caso, é de sua responsabilidade oferecer o meio. Enquanto tudo isso ocorria, os amigos protestavam contra a falta de atitude das autoridades locais frente à situação, os vizinhos pediam a saída rápida dos cães. “Liguei para vários vereadores na tentativa de solucionar o problema. Não queremos que estes cachorros fiquem na casa, sem a presença delas”, salienta Maria Albertina Costa Nunes, amiga das cuidadoras.

Em um outro ‘cenário’, Beltrame trabalhava por uma reunião de emergência com vereadores e o prefeito interino de Tubarão, Felippe Luiz Collaço, o Pepê. E a advogada do Movimenta-Cão, Suzete Ghisi Bristot, lutava pelo resultado positivo da liminar, que solicitava a prorrogação do prazo de despejo, enviado ao Tribunal de Justiça da capital do estado. “Queremos um tempo para viabilizar, um ambiente melhor aos cães e as cuidadoras”, afirmou Suzete.

O empenho de todos valeu a
pena, e o problema foi solucionado

A execução da ordem de despejo de Maria Mendes e Juliana Rodrigues Machado foi cheia de mudanças. A começar pelo fato de que não ocorreu na data prevista. Após muito sofrimento por parte das cuidadoras, tudo foi resolvido e, daqui a 15 dias, cães e cuidadoras estarão em um novo lar. Ontem, elas não aceitavam deixar os seus cães sozinhos, porém, não tinham para onde levar, já que o terreno doado a elas, no KM 60, não tem infraestrutura.

O presidente da ONG Movimenta-Cão, Francisco Beltrame, obteve sucesso em sua reunião emergencial com o prefeito interino, Felippe Luiz Collaço (PP), e os vereadores Deka May (PP) e Haroldo Silva (PSDB), o Dura. “Amanhã (hoje), às 8 horas, os cães poderão ser levados ao horto florestal da prefeitura. Assim, elas terão todo o tempo necessário para preparar um abrigo no KM 60. O problema com as cuidadoras auxilia para que possamos evoluir na questão do canil municipal”, comprometeu-se Pepê.

Quando todos pensaram que estava tudo decidido, mais um fato ocorreu em favor das cuidadoras. Juliana, Maria e os cães ganharam a chance de se organizar melhor e permanecer na casa, por mais 15 dias, através da liminar concedida pelo Tribunal de Justiça.
Hoje, os cães serão transportados para o horto municipal, e as cuidadoras, juntamente com amigos, construirão um abrigo no KM 60.