Um garotinho lindo? Ninguém pode negar! Basta olhar o belo rosto do criciumense Miguel Bottini, de 6 anos. Porém, no mundo artístico, para galgar uma carreira e ‘ganhar um lugar ao sol’, ainda mais em um meio tão complexo, não vale só um rosto bonito. É preciso, acima de tudo, ter talento! E, de ‘carona’ com esse principal atributo, a disciplina, dedicação, persistência, muita disposição, humildade, coragem, entre tantas outras características que levam um ator ao sucesso.

Os pais do pequeno, Michel Fabbri Bottini, 42 anos, e Maria Regina Bottini, 35, atualmente entendem bem isso tudo e o apoio da família é fundamental. A dedicação ficou ainda mais forte quando perceberam que o filho realmente tem a vocação na ‘veia’, atestada inclusive por profissionais de grande projeção na área.

Não é à toa que Miguel está prestes a dar um grande passo em sua carreira. Pode parecer brincadeira (tão novinho), mas aos 4 anos já iniciava seus primeiros trabalhos.
Amanhã (14), o ator mirim estreia a Série Homens? Temporada 2 na Comedy Central Brasil. Ele vai viver Alexandrinho, o personagem de Fábio Porchat quando criança. A direção é do conceituado cineasta Johnny Araújo e tem como produtora a Porta dos Fundos.

Miguel tem fortes raízes no Sul de Santa Catarina
Nascido em Criciúma, assim como seus pais, Miguel tem suas raízes no Sul de Santa Catarina. Seus avós maternos, Anadir Silveira Martins e Maria Botini Martins, são de Tubarão e Treviso respectivamente, e os paternos, Valdete Fabbri Bottini e Antoninho Bottini, de Siderópolis.
“Meu pai, que nasceu e sempre morou em Tubarão, não está mais entre nós, mas sabemos que está muito orgulhoso do neto”, destaca a mãe emocionada.

O começo de tudo, a descoberta com Romeu e Julieta
Maria Regina Bottini conta que em 2017, de Criciúma, foram morar no Rio de Janeiro. “Recebemos uma proposta de trabalho, uma franquia de sorvetes. Meu marido não queria muito, mas como sou formada em Artes, na época fazia oficinas de teatro, a mudança era algo que me atraiu. Miguel tinha 3 anos quando fomos”.

Uma amante e profissional da Arte, a mãe começou a levá-lo em peças de teatro e musicais. “Lembro que ele tinha só 4 anos e fomos assistir ao musical Romeu e Julieta. Foram três horas de espetáculo, Miguel ficou muito encantado, demais, os olhos brilhavam e, de repente, me pediu para subir no palco. Até então, não sabia que também gostava e percebi que tinha vontade de estar lá em cima encenando. Sempre foi muito comunicativo, desde novinho, até hoje. Se sentar com alguém para conversar, ele fala muito”.

O primeiro trabalho, o teatro!
Ao perceber que o filho desejava atuar, Regina não perdeu tempo. Soube que testes estavam sendo feitos para a peça O Menino e a Fada. “Vi que precisavam de um perfil como o dele. Mandei fotos e um vídeo de Miguel se apresentando, e o chamaram para a audição”.

Antes, a produção mandou o texto e, como boa mãe e atriz, Regina o estudou com o filho. “Li o texto somente duas vezes para ele e, incrível, decorou muito rápido”, orgulha-se.
No dia da audição, Regina acompanhou o teste junto com os diretores e não se conteve de tanta emoção. “Eles me perguntaram se ele já fazia aulas de teatro, respondi que não, e ficaram encantados. Meu filho foi escolhido para o papel e ali tudo começou. Miguel estreou na peça com 4 anos, estava com quase 5”.

O dia da estreia foi um momento mágico para a família. “Foi muito lindo, ele estava feliz demais em cena, foi quando meu marido disse extasiado: ‘ele tem talento mesmo’. Ali decidimos que todo o esforço valeria a pena por ele”, revela Regina, que tem o esposo como principal apoiador em tudo.

“Ele fez o Duende Feliz e se apaixonou pelo personagem”.

Do teatro para o cinema: “Passei mãe, passei”!
Após a atuação de Miguel na peça de teatro, os pais resolveram investir no sonho e talento do filho. Pesquisaram muito para uma escolha certa e o colocaram em uma agência de atores e modelos, a Cintra.

“Já na primeira semana, o chamaram para um teste na Globo para uma série. Miguel não conseguiu o papel, pois já havia outro menino muito parecido. Nos pediram nosso número de telefone”, recorda Regina.

Alguns dias se passaram e o talento do garoto não passou despercebido. “O pessoal da agência ligou para eu levá-lo novamente. O diretor da série que ele já tinha feito o teste desejava vê-lo de novo. Fomos com a assistente de direção e o diretor Johnny Araújo. Meu filho saiu do estúdio gritando: ‘passei mãe, passei’. Foi uma emoção indescritível”, conta emocionada.

“Cara, você é ator mesmo”, disse o assistente de direção, Léo Teatini, para Miguel. O contrato foi assinado e a ansiedade à época era pela espera do dia da gravação.

“A luta é grande, trabalhamos muito, mas recompensa vê-lo realizado! Mas não pode parar de estudar e deixar de viver essa fase”
Os pais de Miguel têm ligação com a Arte, Regina formada em teatro, e Michel também é músico, além de administrador e professor de matemática. A mãe do ator mirim já fez vários trabalhos na área – filme, TV, comerciais -, mas hoje investe com muita dedicação no filho.

“A luta é grande porque a gente trabalha muito, e tem que ter disponibilidade para levá-lo e trazê-lo sempre que é solicitado. Ser mãe, cuidar da casa, dele, do trabalho na sorveteria, do marido, mas tudo recompensa quando o vimos realizado e feliz”, relata a mãe.

Conforme Regina, o ator quanto mais completo melhor, mas é muito importante que a criança não pare de estudar e deixar de viver essa fase. “Miguel ama brincar, pular, correr e não abro mão disso porque passa muito rápido. Por isso o deixo à vontade, não forço muito”.

Mãe agradece a todos que apostam no talento do pequeno
Maria Regina sente-se muito agradecida por todos que até o momento apostaram no talento de seu filho. “Um agradecimento especial ao diretor da série, Johnny Araújo, ao professor e coach André Monteiro, que também acredita nele, diz que é uma criança prodígio e que ainda vai brilhar nas novelas, e ao ator Daniel Bouzas que contracenou com Miguel”.
A mãe orgulhosa jamais esquece também de Aline, proprietária da Agência Cintra, de atores e modelos, de onde o pequeno integra o ‘time’ de artistas, da produtora Porta dos Fundos pelo profissionalismo, dos assistentes de direção Kênia Araújo e Leo Teatini, e do produtor de elenco, Raoni Seixas. “A todos a minha gratidão pelo apoio”.

A série
Assim como a temporada inicial (que contou com oito episódios, exibidos entre março e maio de 2019), em parceria com a Comedy Central e Amazon, o segundo ano da atração traz Porchat novamente como estrela e produtor.
Definida por Porchat como uma mistura de duas séries clássicas da HBO, Sex and the City e Girls, Homens nasceu de uma percepção do comediante de que muitos homens, ao chegarem a casa dos 25 e 30 anos, não entendem muito bem o que está acontecendo, por terem sido criados sob aspectos de um mundo machista e que é difícil admitir os erros e começar a mudar.
A partir daí, Fábio conversou com diversos psicólogos e mulheres, e assistiu a várias obras do gênero para criar o programa, que é focado em quatro jovens (vividos por ele, Raphael Logam, Gabriel Godoy e Gabriel Louchard) tentando entender o papel do homem no mundo moderno, em tempos onde o machismo se tornou debate.

Johnny Araújo
João Araújo é um diretor e cineasta brasileiro, nascido na cidade do Rio de Janeiro. Começou sua carreira como produtor de vídeos publicitários e ficou conhecido por seu trabalho na direção de videoclipes, sendo os mais famosos os da banda Charlie Brown Jr. e do rapper Marcelo D2.
Estreou como diretor de longas em O Magnata (2007), com Paulo Vilhena e Rosanne Mulholland. Chamou a atenção do grande público a partir da comédia Chocante (2017) e da biografia Legalize Já! (2017).
Depois de Tudo (2015), seu segundo longa, foi exibido na 39ª Mostra. Dirigiu séries televisivas como (fdp) e As Canalhas.
Johnny já foi indicado 23 vezes ao Vídeo Music Brasil, da MTV, e foi premiado como Melhor Diretor no VMB 2003 e 2004, com o videoclipe de “Qual É?” e Loandeando, do Marcelo D2.