O empresário Cauê Lopes Martins foi ouvido na manhã desta quinta-feira (9), como testemunha, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Respiradores. O depoimento, tomado por videoconferência, não acrescentou novos fatos ao processo.

Cauê foi citado em depoimentos como intermediário de fornecedores de respiradores artificiais. Questionado pelos membros da comissão, ele explicou que atua com importação e exportação de insumos e produtos do agronegócio e que foi procurado por Germano Lincoln para fazer a importação de equipamentos hospitalares.

A empresa de Cauê, conforme explicou, não tem qualificação técnica e não atua nesse ramo, mas ele representa outra empresa, a Brazilian Trade, que teria qualificação para fazer as importações. Ele disse que indicou o empresário Rafael Wekerlin, da Brazilian Trade, para a negociação e os dois dividiriam uma comissão de 1,5% sobre o valor dos produtos importados.

Ainda, conforme o relato de Cauê, um grupo de WhatsApp foi criado para
tratar da logística e documentação do processo, mas o negócio não se concretizou e ele acabou saindo do grupo depois que uma pessoa chamada Samuel (que seria Samuel de Brito Rodovalho) pediu uma comissão para o fechamento do negócio.

Questionado sobre qual sua relação com Germano Lincoln, Cauê respondeu que ele é um indicador de negócios para sua empresa na área de commodities agrícolas. Perguntado se não estranhou o curto prazo de entrega dos respiradores, ele afirmou que naquele momento, pela urgência da situação, não estranhou o prazo, “uma vez que bastaria um avião para transportar os produtos”.

Cauê disse que tentou ajudar da melhor forma para que o negócio fosse concretizado pensando na importância dos respiradores para salvar vidas da população catarinense. Ele reafirmou que a “Brazilian Trade teria qualificação, know how e garantias para fazer essa importação. O grande erro do estado foi não exigir garantias”.

Ele considerou inadmissível que o governo, em pleno século 21, não tenha feito uma mínima checagem da qualificação técnica da empresa Veigamed e se ela tinha capital para garantir a operação. “Num momento como este de pandemia, o governo deveria ser ainda mais rigoroso.”

A reunião foi conduzida pelo presidente da CPI, deputado Sargento Lima (PSL), com a participação do relator, Ivan Naatz (PV), e dos deputados Kennedy Nunes (PSD), Valdir Cobalchini (MDB), Moacir Sopelsa (MDB), Fabiano da Luz (PT) e João Amin (PP).

 

Depoimento fechado

A segunda testemunha ouvida nesta quinta-feira foi o auditor Clóvis Renato Squio, atual gerente de Responsabilização de Entes Privados e de Combate à Corrupção da Controladoria-Geral do Estado (CGE). Por decisão judicial, o depoimento de Squio foi fechado.

O auditor entrou com um pedido de habeas corpus, concedido pelo desembargador Ernani Guetten de Almeida, para poder prestar integralmente seu depoimento à CPI, porque o sigilo profissional, em tese, o impediria de falar. Apenas os membros da comissão acompanharam o depoimento.

 

Fonte: Alesc

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