Em março, as prefeituras da região decretaram o fechamento de serviços não essenciais por conta do aumento nos números de casos. Foi quase 1 mês de paralisação, depois aconteceram flexibilizações nas restrições até que nesta quarta-feira veio o anúncio de uma nova quarentena. Algumas prefeituras acataram, outras não.

A recomendação veio do Comitê Extraordinário Regional da Amurel após a região de ser classificada como risco potencial gravíssimo no painel de Avaliação do Risco Potencial para COVID 19 em Santa Catarina, pela segunda semana consecutiva.

Então começou a surgir uma série de questionamentos acerca das soluções apresentadas pelas lideranças para o enfrentamento do Covid-19 durante este período.

A pergunta mais frequente foi: “Por que as lideranças não fizeram hospital de campanha na região?”.

Em abril, a prefeitura de Tubarão chegou a visitar o colégio São José como alternativa de uma eventual necessidade de instalação de um hospital de campanha, caso a pandemia se agravasse no município. Depois não foi mais falado no assunto.

Conforme a prefeitura, nunca foi enviado ao município de Tubarão, ou outro da região, verba do Governo do Estado ou Federal para a criação de um hospital de campanha.

Mesmo que viesse, na avaliação dos prefeitos a decisão mais viável seria utilizar as estruturas dos hospitais da região para a ampliação de leitos de UTI. Demandaria menos tempo que montar uma estrutura de um hospital de campanha.

De acordo com o prefeito de Tubarão, cidade referência na região com o Hospital Nossa Senhora da Conceição, foram feitas diversas solicitações ao Governo do Estado para a ativação de novos leitos, porém, não houve resposta. “O Governo do Estado é omisso à nossa calamidade, buscamos ajuda e não recebemos amparo”, discursa Ponticelli.

Sistema de saúde da região está em colapso

Conforme os prefeitos, a responsabilidade da ampliação de novos leitos é do Governo do Estado. O Governo do Estado informou que a responsabilidade é do hospital ativar os leitos e encaminhar uma manifestação à Secretaria de Saúde.

Diante da inércia dos Governos o sistema de saúde colapsou. O HNSC não tem mais leito de UTI disponível para tratamento do Covid-19. A crise se estendeu aos hospitais do Sul de Santa Catarina, outros hospitais referências da região como São Donato em Içara, São José em Criciúma e Hospital Regional de Araranguá já atingiram  a capacidade máxima nos leitos de UTI disponíveis para Covid-19.

Os prefeitos da Amurel cogitaram unir forças e utilizar recursos da prefeitura para comprar mais leitos particulares. Porém a ideia não é viável, segundo Ponticelli, porque o problema está na velocidade do contágio do Covid-19.

“Se comprarmos mais 10 leitos de UTI para esta semana, na próxima semana a demanda será de mais 20”, disse o prefeito de Tubarão.

Nesta semana a secretaria de Saúde do Estado informou que os entes públicos entendem como necessária a contratação na rede hospitalar privada, porém, os chamamentos públicos realizados até agora não tiveram interessados.

De acordo com o Secretário Estadual de Saúde, André Motta Ribeiro, a dificuldade se dá por conta da oferta de pagamento da tabela SUS, considerada insuficiente pelas unidades privadas e que o Estado irá propor um formato de edital que englobe uma complementação desse valor.

“Então que o Governo cubra esses valores, o que não pode é deixar a situação como está”, disse Ponticelli.

 

Criciúma saiu na frente

Em Criciúma, a prefeitura se prepara para ativar o Centro de Retaguarda para atender pacientes com Covid-19.  A ativação deve acontecer nos próximos dias. O local escolhido foi o antigo Hospital do Rio Maina desativado desde 2018.

O espaço tem quase 200 leitos para atender pacientes que precisam ficar em isolamento e os que podem precisar de atendimento intensivo.  Não haverá nenhuma internação compulsória, mas sim a criação de uma alternativa.