Wagner da Silva
Braço do Norte

O faro dos cães é utilizado há muito tempo pelas polícias de todo o mundo, principalmente na busca por drogas. Mas esta característica canina também é bem-vinda em resgates de pessoas perdidas em mata ou soterradas, por exemplo. E é exatamente isso que ocorre no norte do estado. Uma equipe de bombeiros das cidades de Xanxerê, São José, Florianópolis, Chapecó e Rio do Sul utilizou cachorros farejadores para encontrar as vítimas de soterramento durante uma semana. Esta semana, o único cão do sul, treinado para atuar nestas situações, retornou para casa.

Em Santa catarina, apenas oito cachorros estão aptos a atuar em ações deste porte. No sul, o único animal a participar das buscas pertence ao soldado Moacir Franco, do Corpo de Bombeiros de Braço do Norte. Téo, um labrador de um ano e sete meses, foi treinado desde filhote para farejar vítimas em escombros e soterramentos. No norte, o auxílio dos animais foi fundamental: até terça-feira, quando suspenderam o uso dos farejadores, dez corpos e dois sobreviventes foram encontrados pelos animais.

A área de atuação da equipe abrangia Blumenau e o Morro do Baú, em Gaspar, onde o acesso era feito de helicóptero. A operação com os farejadores foi suspensa devido à movimentação de escombros e retirada de terra. Os animais ficaram desorientados com isso. Eles devem retornar às áreas afetadas assim que os acessos forem melhorados. “Quando o terreno está intacto, os cães conseguem farejar e, na maioria das vezes, indicam o ponto exato. Para ter certeza, soltamos outro cão, se ele for ao mesmo local, é ali que devemos cavar. Com a movimentação de terra, eles ficam desorientados”, explica o soldado e treinador de Téo.

O soldado Moacir conta que a equipe teve que ficar em locais com mais de dois metros de lama e água até que os bichos achassem os corpos. “É triste, mas alguém tinha que fazer o trabalho. Como faltava gente para cavar, quando os cães achavam algum corpo, nós mesmos fazíamos o serviço. Trabalhamos sobre pressão constante devido ao risco de deslizamento na maioria das áreas que atuamos”, detalha Moacir.

Treinamento de Téo começou quando ele era um filhote

Para tornar o cão apto às ações e atuar junto à equipe de resgate, o soldado Moacir Franco, do Corpo de Bombeiros Militar de Braço do Norte e dono do labrador Téo, participou de diversos cursos com o amigo de quatro patas: desde adestramento até faro. Téo é o único farejador especializado em busca de vítimas sob escombros e soterradas do sul catarinense.

Moacir explica que trabalha com três cães: dois labradores e um bloondhound, cada qual com uma peculiaridade. Os labradores, por exemplo, são ativos fisicamente e possuem habilidades naturais para atuar como guias, assistentes e caçadas. A raça também é de fácil adestramento por serem cães muito inteligentes.
Já o bloondhound, além de companheiro, tem um olfato muito apurado, o que lhe confere a especialidade de buscar pistas e seguir rastros, mesmo que a trilha já tenha sido formada há vários dias. A raça também tem facilidade para localizar pessoas perdidas. “Para treinar, é bom pegar os cães ainda filhotes e fazer a socialização deles. Também é preciso impôr limites para que eles tornem-se bons em cada função”, ensina o soldado Moacir.

Ele acrescenta que o treinamento é valido, mesmo que o objetivo não seja a utilização do cão em situações como a que Téo atuou. “Nas buscas durante a tragédia no norte do estado, Téo foi um integrante da equipe muito importante para a localização das pessoas”, conta Moacir, orgulhoso.