Foram  meses de uma luta incessante e corajosa contra o câncer na coluna, mas, na tarde deste domingo, o deputado Aldo Schneider (MDB) não resistiu mais ao tratamento. Aos 57 anos, morreu no hospital da Unimed, em Balneário Camboriú. O corpo, levado para Ibirama, sua cidade natal, será velado na Igreja Matriz, a partir das 21 horas. Nesta segunda-feira (20), em ato solene privado para a família, será cremado em Balneário Camboriú.

Schneider assumiu a presidência da Assembleia Legislativa em fevereiro, mas praticamente não exerceu o cargo. As sessões de radioterapia e de quimioterapia deixavam-no abatido, além de terem prejudicado muito sua capacidade vocal. O esforço para presidir sessões plenárias, conduzir reuniões ou mesmo dar entrevistas era sobre-humano. Tanto que ele sequer participou na convenção partidária do MDB, no dia 4 de agosto. Por recomendação médica, já estava na UTI do Hospital da Unimed para se poupar de muitas emoções e do agito comum desse tipo de atividade.

Natural de Agrolândia, município do Vale do Itajaí com população próxima dos 10 mil habitantes, era formado em Gestão Empresarial. Ingressou em 1980 na Secretaria de Estado da Fazenda como analista da Receita Estadual. Assumiu a Coletoria Estadual de Vitor Meireles e filiou-se ao PMDB em 1987. No ano seguinte já foi eleito vereador por Ibirama, defendendo a emancipação do então distrito de Vitor Meireles, o que aconteceu em 1989.

No mesmo ano foi eleito como primeiro prefeito da nova cidade, tomando posse em 1990. Depois de mais duas eleições como prefeito, renunciou ao cargo, a pedido do então governador Luiz Henrique da Silveira, e assumiu a recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Regional, SDR de Ibirama. Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010, com 36,4 mil votos, e reeleito em 2014, com um salto para 58,6 mil votos.

Aldo Schneider deixa a esposa, Marita, e os filhos Nathali Aline e Bruno Gustavo.

Luto e manifestações

O governador Eduardo Pinho Moreira decretou luto oficial de sete dias. Em nota, disse: “Com tristeza recebo a notícia do falecimento do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Aldo Schneider, com quem tive oportunidade de amplo convívio na condição de homem público e amigo. Ele deixa um legado de realizações e serviços prestados a Santa Catarina. Lutou até o fim, com a garra e coragem que sempre lhe foram peculiares. Meus sentimentos à família e a todos os que acompanharam sua jornada”. 

O deputado Silvio Dreveck (PP), que já vinha exercendo a presidência do Legislativo estadual e agora assumirá o cargo de fato, decretou três dias de luto na Casa.

O ex-governador Raimundo Colombo (PSD) lamentou a morte de Schneider. “Um amigo, uma pessoa com quem eu convivi muito. Foi nosso líder do governo e agora nosso presidente da Assembleia. Discutimos projetos importantes, ele deu grandes contribuições ao Estado.”

O presidente do PSDB-SC, deputado Marcos Vieira, emitiu nota de pesar em que diz: “Um dos mais importantes expoentes da política catarinense atual, Deputado Aldo Schneider construiu uma carreira pautada pelos valores da boa política”. Ex-presidente da Assembleia e responsável pelo acordo que dividiu o mandato seguinte entre Dreveck e Schneider, o deputado Gelson Merisio (PSD) destacou qualidades do amigo: “Foi um bom amigo, um homem correto e que muito contribuiu para o desenvolvimento de Santa Catarina. A morte dele é, sem dúvida, uma grande perda para a política e para a sociedade catarinense. À família, desejo força neste momento de dor. Descanse em paz, Aldo”.

Em nota assinada de forma conjunta, a Bancada do PT na Assembleia lamentou o falecimento do presidente da Casa. “Schneider deixa um legado político exemplar e seu nome ficará registrado na história do legislativo catarinense. Era um guerreiro e ao longo de sua trajetória, com a sensatez com a qual conduzia sua atuação no parlamento, foi modelo para nós de respeito aos valores democráticos e da busca por consenso em torno de medidas para melhorar a vida de todos os catarinenses.”

O ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, que está na Dinamarca em agenda de trabalho, também se manifestou. “Santa Catarina perdeu um exemplo de homem público. Uma pessoa que soube transitar como poucos no ambiente difícil da política. Só buscou construir relações. Um homem de bem, de família e trabalhador”, falou sobre o amigo.