Liliane Dias
Imbituba

A cada novo caso uma nova história com suas particularidades. A recente história que ocorreu em Imbituba, teve um final feliz. A técnica de enfermagem Priscila Cardozo Pires, de 35 anos, passou por um dilema de ficar ao lado dos filhos e marido ou auxiliar a família de sua irmã que precisou ser internada por apresentar os sintomas do covid-19.

Na segunda-feira, 30 de marco, sua irmã Diandra Cardozo Pires, de 30 anos, ligou e pediu que fosse para Içara cuidar de seu afilhado de um ano e meio, pois ela estava no hospital e permaneceria lá por conta das suspeitas de ter contraído coronavírus. “Foi uma decisão muito difícil, pois meu marido e dois filhos com 9 anos e 16 anos, temiam muito pela minha saúde já que pertenço ao quadro de risco”, lembra Priscila.

A preocupação da família é proveniente de a técnica de enfermagem ter feito bariátrica e ter alguns problemas com vitaminas e anemia. A outra opção para cuidar de seu afilhado seria sua mãe, porém, trata-se de uma senhora de 52 anos, que também pertence ao quadro de risco. “Não podíamos pedir para nossa mãe que me substituísse, pois além dos seus 52 anos, tem problemas com a pressão alta. Poderíamos por a saúde dela em risco também”, assegura.

Mesmo preocupada, após refletir e chorar muito, Priscila arrumou as coisas e seguiu para Içara. Os filhos ficaram aos cuidados do marido, que também deu suporte emocional para ela mesmo à distância. Enquanto cuidava do sobrinho mais um susto, a suspeita de que o cunhado também havia se contaminado.

 

Período hospitalizados

Como não houve melhoras desde os primeiros sintomas de gripe, na terça-feira (31), o cunhado também foi encaminhado para o hospital. Além da suspeita do covid-19, houve um agravamento de seu quadro clínico. “Foi a vez do meu cunhado também ficar internado. Meu mundo começou a desabar. O medo começou a me sufocar, mas tinha que ser forte, pois precisava cuidar do meu afilhado e de mim, para poder voltar para minha família com saúde”, relembra.

Diandra chegou a ser encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas com o passar dos dias ela conseguiu se recuperar e teve alta. “Foi uma alegria imensa, pensava o tempo todo como Deus é maravilhoso e ele me atendeu. Fomos para a casa e lá recebemos a confirmação do exame positivo para covid-19”, conta.

Mesmo precisando de internação o cunhado não chegou a ser encaminhado para a UTI. E, após receber alta, ele precisou tomar uma medicação. “Minha irmã fez uso da cloroquina, usou anticoagulantes e antibióticos, além do oxigênio foi fornecido pelo cateter tipo óculos nasal. Ela disse que a cloroquina ajudou muito junto com o tamiflu”, detalha

Passaram-se mais cinco dias e Priscila voltou para casa. “A sensação de alivio de dever cumprido é única, mas ao mesmo tempo tive a insegurança de estar levando o vírus comigo para minha família. Mesmo sem ter sido contaminada, foi estranho chegar em casa e não poder abraçar minha filha que só tem 9 anos. Foi muito difícil chegar não abraçar quem amamos”, emociona-se a técnica de enfermagem.

 

Como houve a contaminação

“Minha irmã pegou o vírus devido a uma consulta medica no pediatra do meu afilhado”, afirma. A consulta ocorreu no dia 16 de março e os sintomas iniciaram no dia 18. Já para seu cunhado os sintomas tiveram início cinco dias após a consulta. A informação de como houve a contaminação veio depois.

Priscila conta que no dia 3, fez contato com o pediatra do pequeno por apresentar sintomas de conjuntivite. “Foi onde o médico nos informou que ele e seus familiares estavam contaminados pelo covid-19 e a sua quarentena acabaria na segunda-feira (6), quando retomaria os atendimentos”, explica.

 

Aprendizado

Seja positivo ou negativo de toda a situação vivenciada é possível se obter algum aprendizado. Com a crise provocada pela pandemia, não poderia ser diferente, as pessoas foram obrigadas a olhar para dentro de suas casas e mudar muitos hábitos e rever várias atitudes e conceitos.

Priscila fala que no mundo atual em que as pessoas não disponibilizam tempo para nada, todos foram obrigados a dedicar tempo para a família e para pensar no próximo. “Com tudo isso, fomos forçados a parar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o próximo. Pois, é cuidando do próximo que estaremos cuidando de nós. E que sem Deus não somos nada. Ele nos mostra o caminho que devemos seguir, mas o mundo corrido não nos permite enxergar”, finaliza.