Brasília (DF)

Além de pedir a demissão de toda a diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a oposição ameaça denunciar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por crime de responsabilidade, abrindo caminho para um processo de impeachment por conta da escuta clandestina da agência nos telefones dos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e do congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

“Ou o presidente toma uma atitude rápida e aponta os responsáveis pelo grampo, ou, se continuar calado e omisso, ficará como responsável perante a sociedade e terá de responder por isto com base na lei do impeachment”, advertiu ontem o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “O que a lei diz é que, ou o presidente é o responsável, ou alguma autoridade de seu governo o é”, completa Maia, referindo-se à Lei nº 1.079/50, que embasou o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em dezembro de 1992.

Articulações
O DEM quer articular-se com o PSDB, para que a oposição tome uma posição conjunta. Os tucanos marcaram para esta quarta-feira, em Brasília, uma reunião da executiva nacional, “para discutir o momento político e a crise entre poderes”. Diante da denúncia publicada pela revista Veja, de que três senadores do PSDB teriam sido grampeados – Tasso Jereisatti (CE), Álvaro Dias (PR) e o líder Arthur Virgílio (AM), o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), também divulgou nota ontem, convocando a reunião.

Em tom bem mais agressivo, a nota do DEM diz que a democracia brasileira encontra-se “à beira do precipício” do momento em que “órgão sob o comando do presidente da república” faz escutas ilegais. O texto dos Democratas faz outras cinco observações críticas. No encerramento da nota, o DEM denuncia a “escalada criminosa do governo de índole autoritária conduzido pelo presidente Lula da Silva” e exige respeito à Constituição e ao Estado de Direito, e o fim do “estado policial”.

O PPS também divulgou nota oficial de “repúdio à espionagem”. No documento assinado pelo presidente do partido, Roberto Freire, o PPS pede que sejam demitidos os diretores da Abin e o ministro-chefe do gabinete de segurança institucional, general Jorge Felix.

Freire também quer uma “investigação independente do episódio”, comandada pelo Ministério Público, e afirma, na nota, que tomará medidas judiciais e também legislativas para tornar sem efeito o decreto que dá acesso automático da Abin às bases de dados da Polícia Federal, Receita Federal, Exército, Marinha e Aeronáutica.