Decisão da prefeitura foi tomada ontem após críticas ao caráter emergencial da medida.

Willian Reis
Tubarão

A reunião que daria o pontapé inicial nas operações do estacionamento rotativo em Tubarão serviu, na verdade, para o prefeito Joares Ponticelli anunciar, sem esconder a frustração, que o contrato que seria assinado ali está suspenso por 30 dias. Nesse meio tempo, o governo quer discutir melhor o projeto com a sociedade.

Segundo o secretário de Urbanismo, Mobilidade e Planejamento, Alexandre Moraes, a decisão de suspender a assinatura foi firmada ontem mesmo, por causa de declarações de que o caso seria levado à justiça. Grupos de pessoas e entidades contestam o argumento da prefeitura de que o problema da falta de vagas no Centro é urgente e que, por isso, pode ser feito um contrato emergencial, que não prevê licitação.

Uma das entidades citadas como contrárias foi o Observatório Social. Mas, na reunião, na sede da Amurel, alguns membros afirmaram que o grupo, de modo geral, ao contrário do que foi dito, não tem posição definida sobre o assunto e que vai continuar seu papel de fiscal. Caso o contrato tivesse sido assinado, o serviço entraria em funcionamento em até 60 dias.

Moraes lamentou o adiamento. Disse que seriam gerados 60 empregos, R$ 70 mil em tributos e R$ 20 mil em contrapartida da empresa. “É uma certa frustração a gente ter que recuar por causa de algumas pessoas. É um recuo para aparar as arestas”, afirmou. O secretário de Gestão, Caio Tokarski, contou que a suspensão vai dar tempo para que a prefeitura discuta o projeto com outros setores. “Eu imaginava que o problema do estacionamento fosse consenso em Tubarão”, comentou.

Segundo Tokarski, outras cidades também já adotaram o regime emergencial. O procurador geral do município, Marivaldo Bittencourt Pires Junior, explicou que este tipo de contrato pode durar até seis meses. Contrariado com a decisão, tomada a contragosto, Ponticelli criticou quem se opõe ao contrato. “Alguns insistem em atrasar o desenvolvimento da cidade. Mas não vamos permitir que se levantem suspeitas”, disse.

Novo sistema permite criação de conta pela internet
Moraes disse que, apesar do adiamento, a empresa escolhida continua a mesma. A preferência pela Gold Park, de Santo André (SP), se deu por dois critérios: ofereceu melhor retorno para o município (14,5% do faturamento, que seria investido em um fundo de segurança e trânsito) e já executa o mesmo serviço em outros locais.

A apresentação do modelo a ser usado na cidade foi feita pelo responsável pela área de tecnologia da empresa, Rubens Rampelotti. Ele disse que o sistema funciona online e em tempo real, da mesma forma como ocorre, por exemplo, em Florianópolis.

O usuário pode adquirir tíquetes nos parquímetros e em postos de venda, mas há também a possibilidade criar uma conta pré-paga online. Com os valores em conta, o fiscal digita a placa do carro estacionado, e o serviço é descontado pelo tempo de uso. Rampelotti adiantou que são 1,5 mil vagas para os automóveis.

Estacionamento rotativo foi interrompido ano passado
As ruas estão sem o sistema de estacionamento rotativo desde janeiro do ano passado, quando a prefeitura encerrou o contrato com a empresa Extran, responsável pela Área Azul, por causa de irregularidades e reclamações dos motoristas. Agora o município prepara o edital para a concessão do serviço.

A falta de vagas é uma crítica constante entre os comerciantes do Centro. Eles alegam que o problema impacta no fluxo de clientes nas lojas. “A Área Azul é essencial para o desenvolvimento da cidade”, disse o diretor executivo da CDL, Felipe Nascimento.

Foto: Willian Reis/Notisul

Publicado à 1h42 desta terça-feira (04/04/2017)