Florianópolis

Com previsão de receber pelo menos oito milhões de turistas no verão, 30% a mais do que o ano passado, o litoral catarinense prepara-se para uma temporada histórica em termos de número de visitantes. Mesmo com a expectativa de um verão bastante movimentado, a contratação de trabalhadores temporários para atender essa demanda deve ter queda de 50%, conforme indica pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) de Santa Catarina.

A estimativa é que sejam criadas quatro mil vagas no comércio de bens, serviços e turismo até fevereiro de 2016, metade do saldo obtido neste ano, quando foram criadas em torno de oito mil vagas. Este resultado é ainda mais reduzido se comparado com 2014, que abriu cerca de 22 mil vagas. 

Os empresários que vão reforçar o quadro de funcionários devem preencher as vagas este mês (84,8% das contratações). O levantamento foi realizado durante os dias 13 e 16 do último mês e contou com a participação de 163 empresários de Itajaí e Florianópolis. 

O segmento do turismo, como hotéis e restaurantes, deve liderar as contratações. A desvalorização do real encarece o preço da viagem internacional para o turista brasileiro, estimulando-o a viajar dentro do país, e barateia o custo para quem vem de fora.  

De acordo com o presidente da federação, Bruno Breithaupt, o cenário positivo para o turismo contrasta com a situação econômica em retração. Assim, a cautela vira palavra de ordem para os empresários catarinenses. 

Desaceleração no comércio
A estimativa de um menor número de vagas este ano expressa, principalmente, a desaceleração das vendas do comércio em 2015. “Diversos setores da economia vêm sendo prejudicados com o ajuste recessivo, que trouxe o aumento dos impostos, a elevação das taxas de juros e a retração da renda real, fruto da alta inflação. Com a restrição do crédito, o comércio passa por um dos períodos mais complicados desde 2003”, explica Breithaupt. 
Enquanto em julho de 2013, o crescimento do varejo catarinense foi de 3,52%, no mesmo período deste ano o resultado foi de 0,7% no acumulado de 12 meses – julho é o último mês disponível na série histórica do IBGE.
Em torno de 15% dos trabalhadores devem ser efetivados após as vendas de Natal e temporada de verão no litoral, segundo o economista da federação, Luciano Córdova. A taxa também é menor que a média histórica de efetivação, a qual gira em torno de 20%.